Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Recém-nascido termo, parto vaginal e peso de nascimento de 3658g está em observação em alojamento conjunto no seu primeiro dia de vida. Paciente não apresenta achados patológicos ao exame clínico e está com boa aceitação do aleitamento materno exclusivo. Mãe apresenta carteira de pré-natal na qual está relatada sorologia positiva para toxoplasmose em coleta realizada no terceiro trimestre de gestação e negativa em coleta realizada no segundo trimestre. Sobre o caso é correto afirmar:
Soroconversão materna para toxoplasmose na gestação → investigação completa do RN (sorologias, SNC, fundoscopia), mesmo assintomático.
A soroconversão materna para toxoplasmose durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, exige investigação completa do recém-nascido, mesmo que assintomático, devido ao risco de toxoplasmose congênita e suas manifestações tardias, incluindo avaliação sorológica, neurológica e oftalmológica.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita *Toxoplasma gondii*. A infecção materna durante a gestação pode levar à toxoplasmose congênita, uma condição grave com potencial para causar sequelas neurológicas e oftalmológicas significativas no feto ou recém-nascido. O risco de transmissão vertical aumenta com a idade gestacional em que ocorre a infecção materna, sendo maior no terceiro trimestre, embora a gravidade das lesões seja geralmente maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre. Mesmo que o recém-nascido seja termo e assintomático ao nascimento, como no caso apresentado, a soroconversão materna no terceiro trimestre é um sinal de alerta que exige uma investigação completa. A ausência de sintomas iniciais não exclui a infecção, pois as manifestações podem ser tardias ou sutis. A conduta padrão inclui a coleta de sorologias específicas para toxoplasmose (IgM e IgA, e IgG com titulação seriada) tanto do recém-nascido quanto da mãe para comparação e confirmação da infecção congênita. Além dos exames sorológicos, é fundamental realizar uma avaliação abrangente do recém-nascido para identificar possíveis lesões. Isso inclui exames de imagem do sistema nervoso central, como ultrassonografia transfontanelar ou tomografia computadorizada de crânio, para buscar calcificações intracranianas e hidrocefalia, e fundoscopia para detectar coriorretinite, uma das manifestações mais comuns e potencialmente cegantes da doença. O tratamento medicamentoso com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é indicado se a infecção for confirmada, e a duração é geralmente de 12 meses, não apenas 2 meses, para prevenir ou minimizar as sequelas.
Os principais exames incluem sorologias específicas (IgM, IgA e IgG com titulação seriada) do RN e da mãe, exames de imagem do SNC (ultrassonografia transfontanelar ou TC de crânio) e fundoscopia para detectar coriorretinite.
A tríade clássica de Sabin é hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. Outras manifestações incluem icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia, microcefalia e convulsões.
A soroconversão materna no terceiro trimestre indica uma infecção aguda durante a gestação, com alto risco de transmissão vertical para o feto, embora as manifestações clínicas possam ser mais brandas ou tardias em comparação com infecções no início da gestação.
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