UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Gestante de 39 semanas, sorologia de toxoplasmose colhida no terceiro trimestre mostra IgG positivo, IgM positivo, avidez alta. Não fez exame no inicio da gestação. Não fez tratamento. O bebê nasce em boas condições, exame físico sem alterações, assintomático. Qual deve ser a conduta em relação a esse recém-nascido?
IgG+ IgM+ avidez alta no 3º trimestre → infecção materna provávelmente antiga, mas RN assintomático exige investigação completa para toxoplasmose congênita.
A presença de IgM positivo com alta avidez de IgG em gestante no terceiro trimestre sugere infecção materna antiga. Contudo, a ausência de sorologia pré-gestacional e a possibilidade de infecção congênita exigem investigação completa do recém-nascido, mesmo que assintomático, para descartar a doença.
A toxoplasmose congênita é uma infecção grave que pode resultar em sequelas neurológicas e oftalmológicas significativas para o recém-nascido. O diagnóstico e manejo da toxoplasmose na gestação representam um desafio clínico, especialmente quando a sorologia materna não é realizada precocemente. A interpretação dos resultados de IgG, IgM e do teste de avidez de IgG é crucial para determinar o momento provável da infecção materna e, consequentemente, o risco de transmissão fetal. No caso de uma gestante com IgG e IgM positivos e avidez alta de IgG no terceiro trimestre, a infecção materna é provavelmente antiga, ou seja, ocorreu antes ou no início da gestação. Embora a avidez alta sugira menor risco de transmissão recente, a presença de IgM positivo e a ausência de sorologia pré-gestacional impedem a exclusão total de uma infecção mais recente ou de uma infecção congênita já estabelecida. Portanto, a vigilância e a investigação do recém-nascido são imperativas. A conduta no recém-nascido, mesmo que assintomático, deve incluir uma bateria de exames para confirmar ou excluir a infecção congênita. Isso envolve a comparação dos títulos de IgG do binômio, a pesquisa de IgM e IgA específicos no sangue do RN, ultrassonografia transfontanela para detectar calcificações intracranianas ou hidrocefalia, hemograma completo para possíveis alterações hematológicas e fundoscopia para identificar coriorretinite. A detecção precoce permite o início do tratamento adequado, que pode mitigar ou prevenir o desenvolvimento de sequelas.
A investigação inclui sorologia (IgG e IgM) do binômio (mãe e RN), ultrassom transfontanela para avaliar calcificações cerebrais, hemograma completo e fundoscopia para detectar coriorretinite.
Avidez alta de IgG indica que a infecção por Toxoplasma gondii ocorreu há mais de 3-4 meses, sugerindo uma infecção antiga (pré-gestacional ou no início da gestação), o que geralmente implica menor risco de transmissão congênita.
Muitos recém-nascidos com toxoplasmose congênita são assintomáticos ao nascimento, mas podem desenvolver sequelas tardias graves, como coriorretinite, hidrocefalia ou calcificações cerebrais, tornando a detecção precoce e o tratamento essenciais.
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