Toxoplasmose na Gestação: Interpretação Sorológica e Conduta

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Pedro, RN a termo, adequado para idade gestacional, PN 3400g, filho de mãe comorbidade e com pré-natal adequado, ultrassom morfológico normal. Sorologia de toxoplasmose com 7 semanas de gestação: IgM (método Elisa) positivo, IgG positivo, com alta avidez. Exame clínico normal ao nascimento. A conduta recomendada é:

Alternativas

  1. A) realizar avaliação de fundo de olho, ultrassonografia transfontanela e abdominal, hemograma, punção lombar e sorologias do recém-nascido, antes de indicar o tratamento.
  2. B) coletar sorologia para toxoplasmose do sangue do cordão, realizar fundoscopia e indicar o tratamento dependendo do resultado.
  3. C) realizar cuidados de rotina, não havendo necessidade de investigação diagnóstica ou de tratamento do recém-nascido.
  4. D) iniciar tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por um ano, independentemente do resultado de exames.

Pérola Clínica

Toxoplasmose materna: IgM+, IgG+, alta avidez (>7 semanas gestação) → infecção antiga, sem risco congênito; RN assintomático → cuidados de rotina.

Resumo-Chave

A presença de IgM e IgG positivos para toxoplasmose com alta avidez em gestante, especialmente se detectada no início da gestação (7 semanas), indica uma infecção materna antiga, anterior à gestação. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é mínimo ou inexistente, e o recém-nascido, se assintomático, não necessita de investigação ou tratamento específico.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita *Toxoplasma gondii*, e a infecção durante a gestação pode levar à toxoplasmose congênita, uma condição grave com potencial para causar danos neurológicos e oculares no feto. O diagnóstico e a datação da infecção materna são cruciais para o manejo. A sorologia é a principal ferramenta diagnóstica, avaliando os níveis de IgM e IgG. A interpretação da sorologia requer atenção. Um IgM positivo pode persistir por meses ou até anos após a infecção aguda, não sendo, por si só, indicativo de infecção recente. É nesse contexto que o teste de avidez de IgG se torna fundamental. A avidez de IgG reflete a maturidade dos anticorpos: baixa avidez indica infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), enquanto alta avidez indica infecção antiga (geralmente há mais de 4 meses). No caso apresentado, a gestante com IgM positivo, IgG positivo e alta avidez de IgG, detectada com 7 semanas de gestação, indica que a infecção por *Toxoplasma gondii* ocorreu antes da concepção. Portanto, não há risco de transmissão congênita para o feto. Consequentemente, o recém-nascido, que se apresenta clinicamente normal ao nascimento, não necessita de investigação diagnóstica adicional ou tratamento específico para toxoplasmose congênita, devendo receber apenas os cuidados de rotina.

Perguntas Frequentes

Como a avidez de IgG ajuda a datar a infecção por toxoplasmose na gestação?

A avidez de IgG indica a força da ligação entre o anticorpo e o antígeno. Alta avidez de IgG sugere uma infecção antiga (geralmente > 4 meses), enquanto baixa avidez sugere uma infecção recente (geralmente < 4 meses).

Qual a importância de um resultado de IgM positivo com IgG de alta avidez no início da gestação?

Um IgM positivo com IgG de alta avidez, especialmente se detectado no primeiro trimestre (como 7 semanas de gestação), indica que a infecção materna ocorreu antes da concepção, ou seja, é uma infecção antiga, e o risco de transmissão congênita é desprezível.

Quando o recém-nascido de mãe com toxoplasmose precisa de investigação e tratamento?

O recém-nascido precisa de investigação e tratamento quando há evidência de infecção materna aguda durante a gestação (IgM positivo com IgG de baixa avidez ou soroconversão), ou se o RN apresenta sinais clínicos sugestivos de toxoplasmose congênita.

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