Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico e Conduta no RN

HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015

Enunciado

Uma gestante apresentou IgM e IgG de toxoplasmose positivos na gestação, com avidez alta com 12 semanas. Não usou nenhuma medicação específica para toxoplasmose na gestação. Ao nascimento, seu filho está assintomático e apresentou IgM negativo, IgG positivo (valor 134,0), RX de crânio normal, Ultrassom transfontanela normal e fundoscopia normal. Qual a conduta medicamentosa adequada para esta criança?

Alternativas

  1. A) Não iniciar medicação específica para toxoplasmose.
  2. B) Iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.
  3. C) Iniciar espiramicina.
  4. D) Associar espiramicina e prednisona.
  5. E) Associar sulfametoxazol-trimetoprima e prednisona.

Pérola Clínica

Avidez IgG alta na gestação precoce + RN assintomático com IgM negativo = infecção materna pré-gestacional, sem toxoplasmose congênita.

Resumo-Chave

A avidez de IgG alta em gestação precoce (12 semanas) indica infecção materna antiga (pré-gestacional), não aguda. Com o RN assintomático e IgM negativo, a toxoplasmose congênita é descartada, não sendo necessário tratamento.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação devido ao risco de transmissão vertical e suas graves consequências para o feto, resultando na toxoplasmose congênita. O diagnóstico preciso da infecção materna é fundamental para guiar a conduta. A sorologia, com a pesquisa de IgM e IgG, é o primeiro passo. No entanto, a presença de ambos positivos pode indicar tanto uma infecção recente quanto uma infecção antiga reativada ou persistência de IgM por tempo prolongado. A avidez de IgG é um marcador essencial para datar a infecção. Uma avidez alta de IgG em amostras coletadas nas primeiras 16 semanas de gestação indica que a infecção materna é antiga, ou seja, ocorreu antes da gestação, e o risco de transmissão congênita é mínimo ou inexistente. Por outro lado, uma avidez baixa sugere infecção recente, aumentando a preocupação com a transmissão fetal. No caso descrito, a gestante com IgM e IgG positivos e avidez alta com 12 semanas indica uma infecção pré-gestacional. O recém-nascido assintomático, com IgM negativo e exames complementares normais, corrobora a ausência de toxoplasmose congênita. A presença de IgG positivo no RN é esperada devido à passagem transplacentária de anticorpos maternos. Portanto, não há indicação para iniciar medicação específica, evitando exposições desnecessárias a fármacos com potenciais efeitos adversos. O acompanhamento clínico e sorológico do RN pode ser recomendado para confirmar a negativação do IgG materno ao longo do tempo.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da avidez de IgG na gestação para o diagnóstico de toxoplasmose?

A avidez de IgG é crucial para datar a infecção materna. Avidez alta em gestação precoce (até 16 semanas) sugere infecção adquirida antes da gestação, enquanto avidez baixa indica infecção recente, com maior risco de transmissão vertical.

Quais exames são realizados no recém-nascido para diagnosticar toxoplasmose congênita?

No RN, são realizados sorologia (IgM e IgG), exames de imagem (ultrassom transfontanela, RX de crânio), exame de fundo de olho e, se disponível, PCR em líquidos corporais. A persistência de IgG após 12 meses ou IgM positivo são indicativos de infecção congênita.

Quando o tratamento para toxoplasmose congênita é indicado no recém-nascido?

O tratamento é indicado quando há confirmação ou alta suspeita de toxoplasmose congênita (ex: IgM positivo, IgG persistente, alterações em exames de imagem ou clínicos). O esquema padrão inclui sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, por um período prolongado.

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