FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Recém-nascido (Rn) termo de 38 semanas nascido de parto normal, sem intercorrências. Durante sua visita do alojamento conjunto, ao checar o cartão de pré-natal da mãe, você encontra sorologias para toxoplasmose no 1º trimestre com IgMnegativa e lgG negativa e no 3º trimestre com IgM negativa e lgG positiva. Mãe nega uso de medicações durante a gestação. Qual sua conduta frente a esse paciente:
Soroconversão materna (IgG- para IgG+) → Investigação completa do RN (Sorologia + FO + USTF + Hemograma).
A soroconversão materna durante a gestação indica infecção aguda e risco de transmissão vertical, exigindo triagem completa no RN para identificar lesões subclínicas.
A toxoplasmose congênita resulta da infecção transplacentária pelo Toxoplasma gondii. O risco de transmissão aumenta com a idade gestacional, mas a gravidade da doença fetal é inversamente proporcional a essa idade. A maioria dos RNs infectados é assintomática ao nascimento, mas sem tratamento, cerca de 80% desenvolverão sequelas visuais ou neurológicas tardias. O diagnóstico materno baseia-se na soroconversão ou na presença de IgM e IgG de baixa avidez. No RN, a persistência de IgG após os 12 meses ou a presença de IgM/IgA confirma o diagnóstico. O tratamento padrão envolve sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 12 meses, visando reduzir a carga parasitária e prevenir sequelas.
A investigação inicial deve incluir sorologias (IgG, IgM e IgA) do recém-nascido e da mãe, fundo de olho para pesquisa de coriorretinite, ultrassom transfontanela para avaliar calcificações ou hidrocefalia, e hemograma completo. Em casos específicos, a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e a tomografia de crânio podem ser necessárias para detalhamento de lesões do sistema nervoso central.
A soroconversão (passagem de IgG negativa para positiva) indica infecção adquirida durante a gestação. No terceiro trimestre, a taxa de transmissão vertical é mais alta (até 60-80%), embora as manifestações clínicas no RN tendam a ser mais leves ou subclínicas ao nascimento em comparação com infecções no primeiro trimestre.
A coriorretinite é a manifestação mais comum da toxoplasmose congênita e pode estar presente mesmo em recém-nascidos sem outros sinais clínicos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir a progressão da lesão ocular e a perda visual permanente.
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