USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Recém-nascido a termo, adequado para idade gestacional, filho de mãe hígida com pré-natal adequado, ultrassom morfológico normal. Sorologia de toxoplasmose com 7 semanas de gestação: IgM (método elisa) positivo, IgG positivo, com alta avidez. Exame clínico normal ao nascimento. A conduta recomendada é:
Toxoplasmose gestacional: IgM+, IgG+, alta avidez no 1º trimestre → infecção pré-gestacional, baixo risco congênito.
A presença de IgM e IgG positivos para toxoplasmose com alta avidez em sorologia realizada no primeiro trimestre da gestação (7 semanas) indica que a infecção materna ocorreu antes ou muito no início da gravidez. Nesses casos, a infecção não é considerada aguda durante o período de maior risco para transmissão congênita, e o risco para o recém-nascido é mínimo, não justificando investigação ou tratamento específico se o exame clínico do RN for normal.
A toxoplasmose congênita é uma infecção fetal grave causada pelo parasita Toxoplasma gondii, com potencial para causar sequelas neurológicas e oculares. O diagnóstico e manejo da infecção materna durante a gestação são fundamentais para prevenir ou mitigar os danos ao feto. A fisiopatologia da transmissão vertical ocorre quando a mãe adquire a infecção primária durante a gravidez. A interpretação da sorologia materna é crucial: IgM positivo indica infecção recente, enquanto IgG positivo indica contato prévio. O teste de avidez do IgG é um marcador temporal importante; alta avidez no primeiro trimestre sugere infecção pré-gestacional, com baixo risco de transmissão congênita. No caso apresentado, a alta avidez de IgG com 7 semanas de gestação, associada a um recém-nascido clinicamente normal, indica que a infecção materna não foi aguda durante o período de risco para o feto. Portanto, não há necessidade de investigação ou tratamento específico para o recém-nascido, que pode receber os cuidados de rotina.
A alta avidez de IgG indica que a infecção por Toxoplasma gondii ocorreu há mais de 3-4 meses, ou seja, antes da gestação ou muito no início, e a mãe já possui imunidade estabelecida.
O risco de transmissão vertical é maior quando a infecção materna ocorre no segundo e terceiro trimestres da gestação, embora a gravidade da doença fetal seja maior se a infecção ocorrer no primeiro trimestre.
Se a mãe apresentou alta avidez de IgG no início da gestação e o recém-nascido é clinicamente normal, a conduta recomendada é de cuidados de rotina, sem necessidade de investigação diagnóstica ou tratamento específico para toxoplasmose congênita.
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