Toxoplasmose na Gestação: Interpretação da Avidez de IgG

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Recém-nascido de mãe com sorologia realizada com 9 semanas de gestação para toxoplasmose IgM e IgG reagentes e avidez para IgG alta, não realizou seguimento e nem tratamento durante a gestação. O parto foi a termo, sem intercorrências. O RN apresenta bom estado geral, sem alterações clínicas aparentes. Considerando as diretrizes nacionais para o manejo da toxoplasmose congênita, assinale a conduta CORRETA:

Alternativas

  1. A) Iniciar imediatamente o tratamento tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) e solicitar PCR para Toxoplasma gondii no líquor.
  2. B) Tranquilizar a família, pois a alta avidez IgG materna indica infecção antiga, sem necessidade de investigação neonatal específica.
  3. C) Solicitar sorologia para toxoplasmose IgM e IgA no recém-nascido e encaminhar para telerregulação com infectologista pediátrica.
  4. D) Solicitar ultrassonografia transfontanelar e iniciar tratamento profilático para toxoplasmose até a confirmação laboratorial.

Pérola Clínica

IgG alta avidez < 16 semanas = infecção pré-concepcional → risco fetal nulo.

Resumo-Chave

O teste de avidez de IgG realizado no primeiro trimestre diferencia infecção aguda de crônica; alta avidez antes de 16 semanas exclui infecção recente e risco de transmissão vertical.

Contexto Educacional

O manejo da toxoplasmose na gestação baseia-se na distinção entre infecção crônica (imunidade) e infecção aguda (risco de transmissão). O teste de avidez de IgG é a ferramenta chave: ele mede a força de ligação entre o anticorpo e o antígeno. No início da resposta imune, os anticorpos têm baixa afinidade (baixa avidez). Com o tempo, ocorre a maturação da resposta imune, resultando em alta avidez. Portanto, uma alta avidez detectada precocemente na gestação é um marcador confiável de segurança. No caso clínico apresentado, a mãe já apresentava alta avidez com 9 semanas de gestação. Isso prova que ela se infectou muito antes de engravidar. Consequentemente, não houve risco de transmissão vertical do Toxoplasma gondii para o bebê. O recém-nascido, sendo assintomático e filho de mãe com infecção antiga comprovada, não necessita de exames complementares, tratamento ou seguimento especializado para toxoplasmose, apenas os cuidados de rotina de um RN a termo saudável.

Perguntas Frequentes

O que significa alta avidez de IgG no 1º trimestre?

Uma alta avidez de IgG em uma gestante com menos de 16 semanas de idade gestacional indica que a infecção pelo Toxoplasma gondii ocorreu há pelo menos 3 a 4 meses. Isso significa que a infecção é pré-concepcional. Como a toxoplasmose só oferece risco de transmissão vertical em casos de infecção aguda durante a gestação (ou reativação em imunossuprimidas), uma alta avidez no início da gravidez exclui o risco para o feto.

Quando investigar o RN para toxoplasmose congênita?

A investigação neonatal completa (sorologias IgM/IgA/IgG, fundo de olho, USG transfontanelar e avaliação auditiva) está indicada apenas quando há suspeita ou confirmação de infecção materna aguda durante a gestação, ou quando a gestante não realizou o pré-natal adequado e possui sorologia reagente sem teste de avidez confirmatório de infecção antiga.

Qual a conduta se a avidez for baixa?

Se a avidez for baixa em uma gestante com menos de 16 semanas, ou se a sorologia IgM/IgG positivar após esse período, a infecção é considerada aguda ou recente. A conduta inclui o início imediato de espiramicina para reduzir a transmissão placentária, realização de amniocentese para PCR do líquido amniótico e, se confirmada infecção fetal, substituição pelo esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico).

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