Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico e Prevenção na Gestação

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

A toxoplasmose congênita é uma doença evitável se os cuidados com a gestante, a interpretação dos exames durante o pré-natal e a indicação do tratamento forem corretos. Nesse contexto, é um erro afirmar que:

Alternativas

  1. A) a transmissão vertical em gestante com infecção crônica é improvável, exceto se ela for imunodeprimida.
  2. B) a espiramicina é medicação para a profilaxia da toxoplasmose congênita.
  3. C) se a IgG e a IgM forem positivas para toxoplasmose e resultado de teste de avidez for baixo durante a gravidez, significa que a gestante tem infecção recente e o tratamento para toxoplasmose deve ser iniciado imediatamente.
  4. D) havendo soro conversão durante a gravidez, é indicada a pesquisa de DNA dotoxoplasma pela técnica de PCR em líquido amniótico para investigar infecção fetal.
  5. E) se a IgG e a IgM forem negativas para toxoplasmose no primeiro trimestre de gestação, o feto não será infectado e não está indicado o tratamento da gestante.

Pérola Clínica

IgG e IgM negativas no 1º trimestre = gestante suscetível, não significa feto não infectado nem dispensa acompanhamento.

Resumo-Chave

Gestante com IgG e IgM negativas para toxoplasmose no primeiro trimestre está suscetível à infecção primária durante a gravidez. É crucial orientar sobre prevenção e repetir a sorologia para detectar soroconversão, que indicaria infecção recente e risco fetal, exigindo tratamento imediato.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. A transmissão vertical ocorre apenas se a gestante adquirir a infecção primária durante a gravidez ou se for imunodeprimida com reativação da doença. A infecção crônica materna (IgG positiva e IgM negativa com avidez alta) geralmente não representa risco de transmissão. O diagnóstico no pré-natal é feito por sorologia (IgG e IgM). Se a IgG e IgM forem positivas, o teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção: avidez baixa indica infecção recente e risco fetal, exigindo tratamento imediato. A soroconversão (IgG negativa para positiva) durante a gravidez também indica infecção recente. Nesses casos, a pesquisa de DNA do Toxoplasma por PCR em líquido amniótico pode ser realizada para investigar a infecção fetal. A espiramicina é utilizada para profilaxia da transmissão vertical em gestantes com infecção aguda. Se houver confirmação de infecção fetal, o tratamento é alterado para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. A afirmação de que IgG e IgM negativas no primeiro trimestre garantem que o feto não será infectado é um erro grave, pois a gestante permanece suscetível à infecção primária ao longo da gravidez, necessitando de acompanhamento sorológico e orientações preventivas.

Perguntas Frequentes

Como interpretar o teste de avidez de IgG para toxoplasmose na gravidez?

Um teste de avidez de IgG baixo (ou reagente) em gestantes com IgG e IgM positivas sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), indicando maior risco de transmissão fetal. Um teste de avidez alto (ou não reagente) geralmente exclui infecção recente, indicando infecção crônica e menor risco.

Qual a importância da espiramicina na gestação com toxoplasmose?

A espiramicina é um antibiótico macrolídeo utilizado para profilaxia da transmissão vertical da toxoplasmose da mãe para o feto. Ela não trata a infecção fetal já estabelecida, mas reduz o risco de infecção fetal quando administrada à gestante com infecção aguda.

Quais os riscos da toxoplasmose congênita para o feto?

A toxoplasmose congênita pode causar uma série de problemas, incluindo coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas, microcefalia, convulsões, retardo psicomotor, surdez e icterícia. A gravidade depende do trimestre da infecção materna.

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