Toxoplasmose na Gestação: Diagnóstico e Avidez IgG

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à toxoplasmose na gestação, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A transmissão fetal aumenta de 15% para 60% entre o primeiro e o terceiro trimestre de gestação.
  2. B) Os anticorpos IgM são detectados a partir do sétimo dia, e os anticorpos IgG, a partir do 14º dia após a contaminação materna.
  3. C) O teste de avidez de IgG deve ser realizado nas situações de IgM positivo e IgG negativo, até o quarto mês de gestação, para avaliar se a contaminação materna foi antes ou após a concepção.
  4. D) Confirmada a infecção fetal, através da reação em cadeia da polimerase (PCR), deve-se iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: Avidez IgG para IgM+IgG+ (não IgM+IgG-) para datar infecção.

Resumo-Chave

O teste de avidez de IgG é crucial quando IgM e IgG são positivos, especialmente no início da gestação, para diferenciar infecção recente (baixa avidez) de infecção antiga (alta avidez), o que impacta diretamente a conduta e o risco fetal. Não é indicado para IgM positivo e IgG negativo.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e às graves sequelas que a infecção congênita pode causar no feto, como hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. O diagnóstico precoce da infecção materna e a datação da aquisição são cruciais para o manejo adequado e a minimização dos riscos fetais. A interpretação dos exames sorológicos (IgM e IgG) é o pilar do diagnóstico. Anticorpos IgM geralmente indicam infecção recente, enquanto IgG indica infecção passada ou crônica. No entanto, IgM pode persistir por meses ou anos, e IgG pode demorar a aparecer. Nesses casos, o teste de avidez de IgG é uma ferramenta valiosa. Ele é realizado quando há IgM positivo e IgG positivo, e sua função é determinar se a infecção por Toxoplasma gondii é recente (baixa avidez, adquirida nos últimos 3-4 meses) ou antiga (alta avidez, adquirida há mais de 4 meses). A conduta terapêutica e a investigação fetal (como amniocentese para PCR) dependem da datação da infecção materna. Se a infecção for recente e ocorrer durante a gestação, o tratamento materno com espiramicina pode reduzir o risco de transmissão. Se a infecção fetal for confirmada, o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é instituído. O conhecimento aprofundado desses aspectos é fundamental para a prática obstétrica e pediátrica, garantindo o melhor desfecho para mãe e bebê.

Perguntas Frequentes

Quando a transmissão fetal da toxoplasmose é mais provável?

A transmissão fetal da toxoplasmose aumenta progressivamente com a idade gestacional, sendo menor no primeiro trimestre (cerca de 15%) e maior no terceiro trimestre (até 60%), embora a gravidade da doença fetal seja inversamente proporcional à idade gestacional.

Qual a importância do teste de avidez de IgG na gestação?

O teste de avidez de IgG é fundamental para diferenciar infecções recentes (baixa avidez) de infecções antigas (alta avidez) quando tanto IgM quanto IgG são positivos. Isso ajuda a determinar se a infecção ocorreu antes ou durante a gestação, impactando a necessidade de tratamento e investigação fetal.

Qual o tratamento indicado para infecção fetal confirmada por toxoplasmose?

Confirmada a infecção fetal por PCR no líquido amniótico, o tratamento padrão inclui sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, visando reduzir a carga parasitária e prevenir sequelas neurológicas e oculares.

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