Toxoplasmose Cerebral em HIV: Diagnóstico e Manejo

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 36 anos de idade procurou o pronto-socorro apresentando episódio de convulsão há 30 minutos. Informou ter o diagnóstico de síndrome da imunodeficiência humana. A tomografia computadorizada de crânio revelou lesões múltiplas localizadas nos gânglios da base. A causa mais provável da lesão neurológica descrita é

Alternativas

  1. A) meningite viral.
  2. B) tuberculose.
  3. C) tumor maligno cerebral.
  4. D) neurocisticercose.
  5. E) toxoplasmose.

Pérola Clínica

Paciente HIV + convulsão + lesões múltiplas em gânglios da base na TC → Toxoplasmose cerebral até prova em contrário.

Resumo-Chave

Em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Humana (HIV), especialmente aqueles com imunossupressão avançada, a presença de convulsões e lesões múltiplas nos gânglios da base na tomografia computadorizada de crânio é altamente sugestiva de toxoplasmose cerebral. Esta é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central em pacientes com HIV não tratados ou com falha terapêutica.

Contexto Educacional

A toxoplasmose cerebral é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central (SNC) em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Humana (HIV), especialmente aqueles com contagem de linfócitos T CD4+ abaixo de 100 células/mm³. É causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que é reativado em indivíduos imunocomprometidos. A compreensão de sua apresentação clínica e radiológica é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando diretamente a morbidade e mortalidade desses pacientes. A fisiopatologia envolve a reativação de cistos latentes de T. gondii no cérebro, levando à formação de lesões inflamatórias e necróticas. Clinicamente, os pacientes podem apresentar uma variedade de sintomas neurológicos, incluindo cefaleia, febre, alterações do estado mental, déficits neurológicos focais e convulsões, como descrito na questão. A tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de crânio tipicamente revela múltiplas lesões com realce anelar e edema perilesional, com predileção pelos gânglios da base, tálamo e junção córtico-medular. O diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado na apresentação clínica, achados de imagem e sorologia positiva para Toxoplasma, com resposta ao tratamento empírico. O tratamento da toxoplasmose cerebral consiste em terapia antimicrobiana específica, sendo a combinação de pirimetamina e sulfadiazina o regime de primeira linha. O ácido folínico é coadministrado para mitigar a mielossupressão induzida pela pirimetamina. Corticosteroides podem ser utilizados para controlar o edema cerebral significativo. A profilaxia primária e secundária é fundamental em pacientes HIV com baixa contagem de CD4+. O prognóstico melhorou significativamente com a terapia antirretroviral de alta potência (TARV), que restaura a função imune e reduz o risco de infecções oportunistas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas neurológicos mais comuns da toxoplasmose cerebral em pacientes com HIV?

Os sintomas neurológicos mais comuns da toxoplasmose cerebral incluem cefaleia, febre, alterações do estado mental (confusão, letargia), déficits neurológicos focais (hemiparesia, afasia) e convulsões. A apresentação pode ser subaguda, com piora progressiva ao longo de dias ou semanas.

Como a tomografia computadorizada (TC) de crânio se apresenta na toxoplasmose cerebral?

Na TC de crânio, a toxoplasmose cerebral tipicamente se manifesta como lesões múltiplas, hipodensas, com edema perilesional e realce anelar após a administração de contraste. As lesões têm predileção pelos gânglios da base, junção córtico-medular e tálamo. A ressonância magnética (RM) é mais sensível e específica.

Qual o tratamento inicial para a toxoplasmose cerebral em pacientes com HIV?

O tratamento inicial para a toxoplasmose cerebral é empírico, baseado na alta suspeita clínica e radiológica. A terapia de escolha é a combinação de pirimetamina e sulfadiazina, associada a ácido folínico para prevenir a toxicidade medular. Corticosteroides podem ser usados para reduzir o edema cerebral significativo.

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