Toxoplasmose na Gestação: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Gestante em acompanhamento pré-natal com todas as sorologias negativas no primeiro trimestre, no retorno com 28 semanas apresenta sorologia para toxoplasmose IgM e IgG positivas. A conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) solicitar teste de avidez de IgG para toxoplasmose.
  2. B) tratar com espiramicina.
  3. C) tratar com espiramicina + sulfadiazina + pirimetamina.
  4. D) tratar com espiramicina e iniciar investigação fetal.

Pérola Clínica

Toxoplasmose aguda na gestação (IgM+ IgG+ com avidez baixa ou ausente) → Espiramicina + investigação fetal.

Resumo-Chave

Diante de sorologia IgM e IgG positivas para toxoplasmose em gestante com sorologia prévia negativa no primeiro trimestre, suspeita-se de infecção aguda. A conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir a transmissão vertical e proceder com investigação fetal para confirmar a infecção congênita.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e suas potenciais consequências graves para o feto, incluindo malformações congênitas e sequelas neurológicas. O diagnóstico precoce da infecção materna é fundamental para instituir a conduta adequada e minimizar os riscos. A soroconversão ou a presença de IgM e IgG positivos em uma gestante previamente soronegativa, especialmente no segundo ou terceiro trimestre, sugere uma infecção aguda. Nesse cenário, a primeira medida é iniciar o tratamento com espiramicina. Este antibiótico atua na placenta, reduzindo a chance de o parasita Toxoplasma gondii atravessar a barreira placentária e infectar o feto. A espiramicina é eficaz na prevenção da transmissão vertical, mas não trata a infecção fetal já estabelecida. Simultaneamente ao início da espiramicina, deve-se proceder com a investigação fetal. A investigação fetal inclui a realização de ultrassonografias obstétricas seriadas para identificar sinais de infecção congênita (como ventriculomegalia, calcificações intracranianas, ascite, hepatomegalia) e, principalmente, a amniocentese para pesquisa de DNA de Toxoplasma gondii no líquido amniótico. Se a infecção fetal for confirmada, o esquema terapêutico é modificado para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, que são mais eficazes no tratamento da infecção fetal, mas com mais efeitos adversos maternos. O teste de avidez de IgG também pode ser útil para datar a infecção quando o momento exato é incerto.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG ajuda a diferenciar infecções recentes (baixa avidez) de infecções antigas (alta avidez), sendo crucial quando há IgM e IgG positivos para determinar o momento da infecção.

Por que a espiramicina é a primeira escolha no tratamento da toxoplasmose aguda materna?

A espiramicina é utilizada para reduzir o risco de transmissão vertical do parasita para o feto, pois se concentra na placenta. Ela não trata a infecção fetal já estabelecida, mas previne sua ocorrência.

Quais exames compõem a investigação fetal para toxoplasmose?

A investigação fetal inclui ultrassonografia seriada para buscar sinais de infecção (calcificações intracranianas, ventriculomegalia, ascite) e amniocentese para pesquisa de DNA de Toxoplasma gondii no líquido amniótico.

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