Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
Menino, 8 anos de idade, previamente saudável, tem febre medida e 37,8 a 38 oC há 10 dias. Queixa-se de cansaço e sudorese. No exame físico, há aumento de linfonodos em região cervical, bilateral, indolores, móveis, medindo 0,5 a 1,0 cm de diâmetro, sem outras alterações. Na investigação laboratorial, há leucocitose com linfocitose e 20% de linfócitos atípicos e IgM e IgG positivas para toxoplasmose. A avaliação oftalmológica é normal. A conduta indicada para o quadro descrito é
Toxoplasmose aguda em criança imunocompetente sem sintomas graves/oculares → Observação clínica, sem tratamento antiparasitário.
Em crianças imunocompetentes, a toxoplasmose aguda é geralmente autolimitada e assintomática ou com sintomas leves e inespecíficos, como linfadenopatia e febre. Na ausência de comprometimento de órgãos vitais ou imunodeficiência, o tratamento antiparasitário específico não é indicado, sendo suficiente o acompanhamento clínico.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que pode ser adquirida através da ingestão de carne crua ou malcozida contendo cistos, ou por contato com fezes de gatos infectados. Em crianças imunocompetentes, a infecção primária é frequentemente assintomática ou se manifesta como uma síndrome semelhante à mononucleose, caracterizada por febre baixa, mal-estar, fadiga e linfadenopatia, principalmente cervical, que pode persistir por semanas ou meses. A presença de linfócitos atípicos no hemograma é um achado comum. O diagnóstico é confirmado pela sorologia, com a presença de anticorpos IgM e IgG específicos. A IgM indica infecção recente, enquanto a IgG sugere infecção passada ou crônica. No caso descrito, a presença de ambos sugere infecção aguda. No entanto, a ausência de sintomas graves, como comprometimento ocular (confirmado pelo exame oftalmológico normal) ou visceral, em um paciente imunocompetente, é o fator determinante para a conduta. Para a maioria das crianças e adultos imunocompetentes com toxoplasmose aguda e sintomas leves ou assintomáticos, a doença é autolimitada e não requer tratamento antiparasitário específico. O acompanhamento clínico por 4 a 6 semanas é suficiente para monitorar a resolução dos sintomas. O tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é reservado para casos graves, imunocomprometidos, gestantes com infecção aguda ou toxoplasmose congênita. A clindamicina e espiramicina são opções para gestantes ou casos específicos. A azitromicina não é a primeira linha para toxoplasmose.
O tratamento é indicado para crianças imunocomprometidas, recém-nascidos com toxoplasmose congênita, ou em casos de doença grave em imunocompetentes, como toxoplasmose ocular ou visceral. Em crianças imunocompetentes com doença leve e autolimitada, o tratamento não é geralmente necessário.
A sorologia (IgM e IgG para Toxoplasma gondii) é crucial para o diagnóstico. Outras causas incluem mononucleose infecciosa (EBV), citomegalovírus e HIV, que também podem causar linfadenopatia e linfocitose atípica. A clínica e outros exames sorológicos ajudam na diferenciação.
O exame oftalmológico é fundamental para descartar toxoplasmose ocular, uma forma grave da doença que requer tratamento específico para prevenir danos visuais permanentes. Mesmo em casos assintomáticos sistemicamente, o olho pode ser afetado.
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