Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos de idade foi levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por apresentar, há três semanas, dor abdominal inespecífica, tosse, febre e hábito de comer terra. Ao exame físico, há palidez cutânea e hepatomegalia. Foram solicitados alguns exames: 1) hemograma: hemoglobina 10 g/dL, hematócrito 30 %, leucócitos de 16000 /mm³ com 34% de neutrófilos, 34% de linfócitos, 10% de monócitos e 22% de eosinófilos, plaquetometria normal; 2) exame ultrassonográfico do abdome que revelou imagens hipoecogênicas micronodulares no fígado.Com base na história clínica e nos exames complementares, o diagnóstico principal e o tratamento são:
Criança com geofagia, eosinofilia, hepatomegalia e sintomas inespecíficos → Larva Migrans Visceral (Toxocaríase).
O quadro clínico de uma criança com geofagia, sintomas inespecíficos (dor abdominal, tosse, febre), palidez, hepatomegalia, eosinofilia acentuada no hemograma e lesões hepáticas micronodulares na ultrassonografia é altamente sugestivo de Larva Migrans Visceral, causada por Toxocara canis ou cati (Toxocaríase). O tratamento de escolha é o albendazol, geralmente em doses de 400mg duas vezes ao dia por 5 dias.
A Toxocaríase, ou Síndrome da Larva Migrans Visceral (LMV), é uma zoonose parasitária causada pela ingestão acidental de ovos de nematódeos do gênero Toxocara, principalmente Toxocara canis (de cães) e Toxocara cati (de gatos). É uma condição comum em crianças, especialmente aquelas com hábitos de geofagia ou que vivem em ambientes com saneamento precário e contato próximo com animais de estimação. A doença é de grande importância clínica devido à sua apresentação polimórfica e potencial para complicações graves. A fisiopatologia da LMV ocorre quando as larvas eclodem no intestino delgado após a ingestão dos ovos, penetram na parede intestinal e migram através da circulação para diversos órgãos, como fígado, pulmões, cérebro e olhos, onde permanecem encapsuladas, pois o ser humano é um hospedeiro paratênico. Os achados clínicos variam conforme o órgão afetado, mas a tríade clássica inclui hepatomegalia, eosinofilia e história de geofagia. O diagnóstico é baseado na epidemiologia, clínica, exames laboratoriais (eosinofilia acentuada, leucocitose) e sorologia (ELISA para anticorpos anti-Toxocara). Exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, podem revelar lesões hepáticas nodulares. O tratamento da Toxocaríase visa eliminar as larvas e controlar a resposta inflamatória. O albendazol é o fármaco de escolha, administrado em doses de 400mg duas vezes ao dia por 5 dias. Em casos de envolvimento ocular ou sintomas graves, pode ser necessário estender o tratamento e associar corticoides para reduzir a inflamação. A prevenção envolve medidas de higiene, controle de animais de estimação e educação sanitária, especialmente em áreas de risco.
Os sinais e sintomas incluem febre, tosse, dor abdominal, hepatomegalia, esplenomegalia, palidez, anorexia, e frequentemente, história de geofagia. A eosinofilia é um achado laboratorial marcante.
A geofagia, ou o hábito de comer terra, é um fator de risco importante para a Toxocaríase, pois as crianças podem ingerir ovos embrionados de Toxocara canis ou cati presentes no solo contaminado por fezes de cães e gatos.
O tratamento de escolha é o albendazol, na dose de 400mg duas vezes ao dia, geralmente por um período de 5 dias, embora em casos mais graves ou com envolvimento ocular, o tratamento possa ser estendido e associado a corticoides.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo