AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015
Pré-escolar de quatro anos apresenta febre e tosse há quase um mês. Já foi medicado com antimicrobiano e broncodilatador, sem melhora. Exame físico: regular estado geral; FR: 40 irpm; MV bilateral com sibilos difusos; abdome: hepatomegalia moderada. Hemograma: 50.000 leucócitos com 65% de eosinófilos. Hematimetria normal. Radiografia de tórax: infiltrado intersticial bilateral. O diagnóstico mais provável é:
Pré-escolar com febre, tosse crônica, hepatomegalia, sibilos e eosinofilia acentuada → Toxocaríase (Larva Migrans Visceral).
A toxocaríase, causada pela ingestão de ovos de Toxocara canis ou cati, deve ser fortemente suspeitada em crianças com quadro de febre prolongada, tosse crônica, hepatomegalia e eosinofilia extrema, devido à migração das larvas pelos órgãos.
A toxocaríase é uma zoonose parasitária causada pela ingestão de ovos de nematódeos intestinais de cães (Toxocara canis) ou gatos (Toxocara cati). É mais comum em crianças pequenas devido ao contato frequente com solo contaminado. A doença se manifesta principalmente como Larva Migrans Visceral (LMV) ou Larva Migrans Ocular (LMO), sendo a LMV caracterizada pela migração das larvas para diversos órgãos, como fígado, pulmões e SNC, causando uma resposta inflamatória eosinofílica. O quadro clínico da LMV é inespecífico, incluindo febre, tosse crônica, sibilos, hepatomegalia e, por vezes, esplenomegalia. A eosinofilia periférica é um achado laboratorial marcante e quase universal, com contagens de leucócitos que podem atingir dezenas de milhares, com alta porcentagem de eosinófilos. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados pulmonares migratórios (síndrome de Loeffler). O diagnóstico é confirmado por sorologia (ELISA) e a suspeita clínica é fundamental diante da epidemiologia e dos achados laboratoriais. O tratamento da toxocaríase geralmente envolve anti-helmínticos como albendazol ou mebendazol, por várias semanas. Em casos de inflamação grave ou envolvimento de órgãos vitais, corticosteroides podem ser associados para controlar a resposta inflamatória. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a prevenção é crucial, incluindo higiene pessoal, lavagem de mãos e controle de parasitas em animais domésticos.
Os sintomas incluem febre prolongada, tosse crônica, sibilos, hepatomegalia, esplenomegalia, anorexia, perda de peso e, em casos graves, comprometimento ocular ou neurológico.
A eosinofilia periférica acentuada é o achado laboratorial mais característico, frequentemente com contagens de eosinófilos muito elevadas, como no caso da questão.
O diagnóstico é feito pela sorologia (ELISA para anticorpos anti-Toxocara), que detecta a presença de anticorpos específicos. A biópsia de órgãos pode revelar larvas, mas é raramente necessária.
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