PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Frederico, quatro anos, apresenta febre e tosse há quase um mês. Já foi medicado com antibiótico macrolídeo e inalação com broncodilatador, sem melhora. Exame físico: regular estado geral; FR: 40 irpm, ausculta pulmonar MV bilateral com sibilos difusos; abdome: fígado a 3 cm do rebordo costal direito e baço não palpável. Hemograma: 50.000 leucócitos com 65% de eosinófilos. Hematimetria normal. Radiografia de tórax: infiltrado intersticial bilateral. O diagnóstico mais provável é
Criança com febre, tosse crônica, hepatomegalia, eosinofilia acentuada e infiltrado pulmonar → Larva Migrans Visceral (Toxocaríase).
O quadro clínico de febre, tosse persistente, hepatomegalia, eosinofilia acentuada e infiltrado pulmonar em uma criança é altamente sugestivo de Larva Migrans Visceral, sendo a Toxocaríase a causa mais comum. As outras opções (Giardíase, Ancilostomíase, Ascaridíase) não costumam cursar com eosinofilia tão proeminente e este conjunto de sintomas sistêmicos.
A Toxocaríase, causada pela infecção por larvas de *Toxocara canis* ou *Toxocara cati*, é uma zoonose parasitária comum em crianças, especialmente na faixa etária pré-escolar. A forma mais comum é a Larva Migrans Visceral (LMV), que ocorre quando as larvas ingeridas não conseguem completar seu ciclo no hospedeiro humano e migram por diversos órgãos, causando uma resposta inflamatória. A epidemiologia está ligada à ingestão de ovos presentes em solo contaminado por fezes de cães e gatos. O quadro clínico da LMV é bastante característico: febre prolongada, tosse crônica, sibilos (sugerindo broncoespasmo ou inflamação brônquica), hepatomegalia e, por vezes, esplenomegalia. O hemograma é um exame chave, revelando leucocitose com eosinofilia marcante, que pode ser superior a 50%. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados pulmonares, compatíveis com a Síndrome de Loeffler. O diagnóstico é confirmado por sorologia (ELISA para anticorpos anti-Toxocara). O tratamento envolve anti-helmínticos como albendazol ou mebendazol, e corticosteroides podem ser usados em casos de inflamação grave ou envolvimento ocular/neurológico. É fundamental o diagnóstico diferencial com outras parasitoses e condições que cursam com eosinofilia, mas o conjunto de sintomas e a alta eosinofilia em criança com exposição ambiental direcionam fortemente para Toxocaríase.
A Toxocaríase em crianças pode manifestar-se com febre prolongada, tosse crônica, sibilos, hepatomegalia, esplenomegalia, linfadenopatia e, em casos mais graves, comprometimento ocular ou neurológico.
A eosinofilia acentuada (leucocitose com alta porcentagem de eosinófilos) é o achado laboratorial mais característico da Toxocaríase, refletindo a resposta imune à migração das larvas.
A radiografia de tórax pode revelar infiltrados pulmonares intersticiais ou nodulares, que são compatíveis com a Síndrome de Loeffler, uma manifestação pulmonar da migração larvária.
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