ENARE/ENAMED — Prova 2022
Menino de 1 ano dá entrada em hospital após quadro convulsivo. Ao exame físico, apresenta midríase, taquicardia, sudorese, hipertensão, piloereção e hiper-reflexia. Na anamnese, a mãe conta que o paciente está, há 2 dias, com obstrução nasal e espirros e, por estar com dificuldade para dormir devido à obstrução, usou medicamento em gotas que tinha em casa, nas narinas da criança. Após seu uso, o paciente iniciou o quadro atual. Considerando o agente farmacológico provável, trata-se de uma
Midríase, taquicardia, hipertensão, hiper-reflexia após descongestionante nasal → Toxíndrome simpatomimética.
A toxíndrome simpatomimética é causada pela estimulação excessiva dos receptores adrenérgicos, resultando em sinais como taquicardia, hipertensão, midríase e agitação. Em crianças, a intoxicação por descongestionantes nasais contendo agonistas alfa-adrenérgicos é uma causa comum, exigindo reconhecimento rápido e manejo de suporte.
A toxíndrome simpatomimética é uma emergência toxicológica caracterizada pela estimulação excessiva do sistema nervoso simpático. É frequentemente causada por substâncias como anfetaminas, cocaína, cafeína, teofilina e, em crianças, por descongestionantes nasais contendo agonistas alfa-adrenérgicos. O reconhecimento precoce é crucial devido ao potencial de complicações graves como arritmias, infarto do miocárdio, AVC e convulsões. A fisiopatologia envolve o aumento da liberação ou inibição da recaptação de catecolaminas (noradrenalina, adrenalina, dopamina) nas sinapses. Clinicamente, manifesta-se com taquicardia, hipertensão, midríase, sudorese, agitação psicomotora, hipertermia e hiper-reflexia. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de exposição e nos achados do exame físico, sendo importante diferenciar de outras toxíndromes. O tratamento é de suporte, visando à estabilização hemodinâmica e ao controle dos sintomas. Benzodiazepínicos são a primeira linha para agitação e convulsões. Para a hipertensão e taquicardia, podem ser usados nitroprussiato ou fentolamina, evitando betabloqueadores isolados que podem exacerbar a hipertensão por vasoconstrição alfa-adrenérgica não oposta. A desintoxicação gastrointestinal raramente é indicada e deve ser avaliada caso a caso.
Os sinais clássicos incluem taquicardia, hipertensão, midríase, sudorese, agitação, hiper-reflexia e, em casos graves, convulsões ou arritmias.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, suporte ventilatório e hemodinâmico, controle de convulsões com benzodiazepínicos e, se necessário, anti-hipertensivos para picos pressóricos.
A diferenciação se baseia na presença de sudorese e hiper-reflexia na simpatomimética, contrastando com pele seca e diminuição dos reflexos na anticolinérgica, apesar de ambas poderem cursar com midríase e taquicardia.
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