CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Assinale a alternativa correta a respeito da toxina botulínica tipo A utilizada para tratamento do blefaroespasmo essencial benigno:
Aminoglicosídeos ↑ efeito da toxina botulínica por interferirem na liberação de acetilcolina.
A toxina botulínica inibe a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular; antibióticos aminoglicosídeos potencializam esse bloqueio, podendo causar fraqueza excessiva.
O blefaroespasmo essencial benigno é uma condição debilitante que afeta a qualidade de vida, podendo levar à cegueira funcional. A toxina botulínica tipo A consolidou-se como o tratamento de primeira linha devido à sua eficácia e perfil de segurança local. É fundamental que o médico assistente esteja atento às contraindicações e interações. Além dos aminoglicosídeos, outras drogas que afetam a transmissão neuromuscular, como a succinilcolina ou bloqueadores de canais de cálcio, devem ser monitoradas. O conhecimento da farmacodinâmica da toxina, incluindo o tempo de latência (3-7 dias) e a duração do efeito (3-4 meses), é essencial para o manejo das expectativas do paciente e o planejamento das reaplicações.
A toxina botulínica tipo A atua na junção neuromuscular bloqueando a liberação de acetilcolina das vesículas pré-sinápticas. Ela cliva a proteína SNAP-25, essencial para a fusão das vesículas com a membrana celular. No blefaroespasmo essencial benigno, que é uma distonia focal caracterizada por contrações involuntárias do músculo orbicular, a aplicação local da toxina promove uma paralisia flácida temporária e controlada desses músculos, aliviando os sintomas de fechamento ocular involuntário.
Os antibióticos aminoglicosídeos (como gentamicina e neomicina) possuem um efeito colateral intrínseco de bloqueio neuromuscular, pois interferem na entrada de cálcio nos terminais nervosos pré-sinápticos, o que reduz a liberação de acetilcolina. Como a toxina botulínica também reduz essa liberação por um mecanismo diferente, o uso concomitante de aminoglicosídeos pode levar a uma potencialização sinérgica do bloqueio neuromuscular, resultando em fraqueza muscular mais profunda ou prolongada do que o pretendido.
A toxina botulínica é uma proteína termolábil e altamente sensível. Antes da reconstituição, deve ser mantida sob refrigeração (2°C a 8°C) ou congelada, dependendo da marca comercial. Após a diluição com soro fisiológico, a estabilidade da toxina diminui rapidamente; as recomendações oficiais geralmente sugerem o uso em até 24 horas sob refrigeração, embora alguns estudos sugiram eficácia por períodos ligeiramente maiores se mantida estritamente resfriada. A agitação vigorosa do frasco também deve ser evitada para não desnaturar a proteína.
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