Toxicidade por Anestésico Local: Reconheça e Aja

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 42 anos, sexo feminino, sem comorbidades, foi encaminhada para exérese de nevo. Observado o preparo pré operatório e antissepsia, iniciado o procedimento com anestesia local. No momento em que se iniciou a incisão na pele, paciente referiu gosto metálico na boca, vertigem e turvação visual. Passou a ficar agitada, movimentando-se constantemente e comprometendo a segurança do procedimento. Qual é a causa mais provável dessas alterações e qual deve ser a conduta imediata do cirurgião?

Alternativas

  1. A) Intoxicação sistêmica por anestésico local lidocaina; interromper ou abreviar o procedimento, promover oxigenação, monitorização contínua de sinais vitais;
  2. B) Estimulação vagal secundária à manipulação; interromper ou abreviar o procedimento e administrar atropina intravenosa;
  3. C) Reação alérgica ao antisséptico de pele clorexedine; administrar anti histamínico e corticoesteróide EV e concluir o procedimento;
  4. D) Ansiedade relacionada à cirurgia; administrar midazolan EV e concluir o procedimento.

Pérola Clínica

Toxicidade sistêmica por anestésico local (TSAL) → gosto metálico, vertigem, turvação visual, agitação. Conduta: interromper, oxigenar, monitorar.

Resumo-Chave

A toxicidade sistêmica por anestésicos locais (TSAL) ocorre por absorção excessiva ou injeção intravascular. Os sintomas neurológicos iniciais incluem gosto metálico, tontura e agitação, podendo progredir para convulsões e depressão cardiorrespiratória. A conduta imediata é vital para evitar complicações graves.

Contexto Educacional

A toxicidade sistêmica por anestésicos locais (TSAL) é uma complicação rara, mas potencialmente fatal, da anestesia local. É crucial para o residente reconhecer seus sinais e sintomas precoces, que geralmente progridem de manifestações neurológicas leves (gosto metálico, tontura, turvação visual, agitação) para mais graves (convulsões, coma) e, em casos extremos, cardiovasculares (bradicardia, hipotensão, arritmias, parada cardíaca). A prevenção é fundamental, utilizando a menor dose eficaz, aspiração frequente e injeção lenta. O manejo imediato da TSAL envolve a interrupção da administração do anestésico, garantia da via aérea e oxigenação, monitorização contínua dos sinais vitais e, se houver progressão dos sintomas, a administração de emulsão lipídica intravenosa (Intralipid®) para "resgatar" o anestésico da circulação. A compreensão da farmacocinética e farmacodinâmica dos anestésicos locais é essencial para a segurança do paciente e para a tomada de decisão rápida em situações de emergência. Para a prática clínica e provas de residência, é importante memorizar a sequência de sintomas e o protocolo de tratamento. A diferenciação de outras reações, como ansiedade ou reações alérgicas (que são muito raras para anestésicos locais do tipo amida), é um ponto chave. O conhecimento aprofundado sobre doses máximas e técnicas de injeção seguras minimiza os riscos e otimiza o cuidado ao paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de toxicidade sistêmica por anestésicos locais?

Os primeiros sinais incluem gosto metálico na boca, tontura, vertigem, turvação visual e agitação. Podem progredir para tremores, convulsões e depressão do sistema nervoso central.

Qual a conduta imediata ao suspeitar de toxicidade por anestésico local?

Interromper a injeção, garantir via aérea, administrar oxigênio, monitorar sinais vitais e, se necessário, iniciar tratamento com emulsão lipídica intravenosa.

Como diferenciar a toxicidade por anestésico local de uma reação alérgica?

A toxicidade por anestésico local apresenta sintomas neurológicos e cardiovasculares dose-dependentes. Reações alérgicas são raras, não dose-dependentes e se manifestam com urticária, broncoespasmo ou choque anafilático.

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