Toxicidade por Lidocaína: Reconhecimento e Manejo Imediato

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 28 anos, sem comorbidades, chega ao pronto-socorro com múltiplos ferimentos corto-contusos superficiais em membros inferiores devido fragmentação do vidro que compõe o boxe do banheiro, durante seu banho. Após limpeza e avaliação dos ferimentos, não foi percebido lesões de estruturas nobres, sendo iniciado a anestesia com lidocaína a 2 % e sutura da pele de cada ferimento. Após 40 minutos de procedimento, anestesiando os últimos ferimentos, paciente refere mal-estar geral e dormência perioral, evoluindo com alteração do nível de consciência. Quanto ao caso clínico, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) substituir o anestésico local lidocaína por outro anestésico como bupivacaína, para terminar o procedimento.
  2. B) diluir a lidocaína a 2% com o mesmo volume de água destilada transformando-a em uma solução a 0,5%, e terminar o procedimento.
  3. C) terminar de anestesiar as feridas e abreviar o tempo de sutura solicitando a presença de um cirurgião.
  4. D) alcalinizar a solução de lidocaína com bicarbonato de potássio, o que provocaria menor tempo de latência e menor risco de evento adverso.
  5. E) parar o procedimento, iniciar hidratação endovenosa, oxigênio por cateter e posicionar o paciente em posição de Trendelenburg.

Pérola Clínica

Toxicidade sistêmica por lidocaína → parar procedimento, ABC, hidratação IV, oxigênio, Trendelenburg.

Resumo-Chave

Os sintomas de dormência perioral e alteração do nível de consciência após uso de lidocaína sugerem toxicidade sistêmica do anestésico local. A conduta imediata é interromper a administração, garantir a via aérea (ABC), oferecer suporte circulatório com hidratação e oxigênio, e posicionar o paciente para otimizar o retorno venoso.

Contexto Educacional

A toxicidade sistêmica por anestésicos locais (LAST - Local Anesthetic Systemic Toxicity) é uma complicação rara, mas potencialmente fatal, que pode ocorrer após a administração de anestésicos locais. É crucial para qualquer profissional de saúde que utilize esses agentes estar apto a reconhecer seus sinais e sintomas precocemente e a iniciar o manejo adequado. A lidocaína, sendo um dos anestésicos mais utilizados, é frequentemente associada a esses eventos quando as doses máximas são excedidas ou há injeção intravascular inadvertida. A fisiopatologia da LAST envolve a absorção sistêmica do anestésico local, que atinge concentrações plasmáticas tóxicas, afetando principalmente o sistema nervoso central (SNC) e o sistema cardiovascular. Os sintomas neurológicos geralmente precedem os cardiovasculares e incluem dormência perioral, gosto metálico, tontura, zumbido, agitação, tremores e, em casos graves, convulsões e coma. Os sintomas cardiovasculares podem variar de hipertensão e taquicardia a bradicardia, arritmias e parada cardíaca. O manejo da toxicidade por anestésicos locais é uma emergência médica que exige ação rápida. A primeira medida é interromper a administração do anestésico e chamar ajuda. Em seguida, deve-se garantir a via aérea, administrar oxigênio a 100%, iniciar hidratação endovenosa e posicionar o paciente em Trendelenburg para melhorar o retorno venoso e a perfusão cerebral. Em casos de convulsões, benzodiazepínicos podem ser administrados. Para toxicidade cardiovascular grave, a emulsão lipídica intravenosa (Intralipid) é o tratamento de escolha, agindo como um "sink" para o anestésico.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de toxicidade sistêmica por lidocaína?

Os primeiros sinais de toxicidade por lidocaína são geralmente neurológicos, incluindo dormência perioral, gosto metálico na boca, tontura, zumbido, agitação e tremores. Podem progredir para convulsões e depressão do SNC.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de toxicidade por anestésico local?

A conduta inicial é parar imediatamente a administração do anestésico, garantir a permeabilidade das vias aéreas (ABC), administrar oxigênio suplementar, iniciar hidratação endovenosa e posicionar o paciente em Trendelenburg para otimizar a perfusão cerebral e o retorno venoso.

Como prevenir a toxicidade sistêmica por anestésicos locais?

A prevenção envolve o cálculo correto da dose máxima do anestésico para o peso do paciente, aspiração antes da injeção para evitar injeção intravascular, e uso de concentrações eficazes mais baixas. A monitorização do paciente durante o procedimento também é crucial.

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