UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Mulher de 52 anos, com histórico de tabagismo passivo e fibrilação atrial não valvar, em uso crônico (há cinco anos) de inibidor direto de fator Xa e amiodarona para controle de ritmo e sintomas. Consulta por queixa de tosse não produtiva, que dura pelo menos quatro meses, e aparenta piora recente. Refere ainda dispneia a exercícios leves ou moderados e eventualmente apresenta febre baixa não aferida. Ecocardiograma transtorácico revelou átrios com volume discretamente aumentado e ventrículos anatomicamente normais, FE 58%. Observe as imagens do tórax. Sobre os achados na espirometria, são esperados, para o caso,1. capacidade vital forçada reduzida.2. capacidade total pulmonar normal.3. razão VEF1/CVF em 50% do previsto.
Amiodarona + tosse/dispneia/febre + infiltrado pulmonar → suspeitar de fibrose pulmonar induzida.
A amiodarona é um antiarrítmico com potencial de toxicidade pulmonar, que pode se manifestar como doença pulmonar intersticial (fibrose). Na espirometria, doenças restritivas cursam com redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e Capacidade Pulmonar Total (CPT), com VEF1/CVF normal ou aumentado.
A amiodarona é um antiarrítmico de classe III amplamente utilizado, mas conhecido por seu perfil de efeitos adversos multissistêmicos, incluindo toxicidade pulmonar. Esta complicação, que pode variar de pneumonite intersticial a fibrose pulmonar, é uma causa importante de morbimortalidade e deve ser prontamente reconhecida em pacientes em uso crônico da medicação. Os sintomas são inespecíficos, como tosse não produtiva, dispneia progressiva e febre baixa, o que dificulta o diagnóstico diferencial. No contexto da espirometria, a doença pulmonar intersticial induzida por amiodarona tipicamente apresenta um padrão restritivo. Isso significa que há uma redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e da Capacidade Pulmonar Total (CPT), indicando uma diminuição do volume pulmonar. A relação VEF1/CVF (volume expiratório forçado no primeiro segundo sobre a capacidade vital forçada) geralmente permanece normal ou até aumentada, diferenciando-a de doenças obstrutivas. Portanto, a afirmação de que a capacidade vital forçada é reduzida está correta, enquanto a capacidade total pulmonar normal e a razão VEF1/CVF em 50% do previsto (que indicaria obstrução) estariam incorretas para um padrão restritivo puro. O manejo da toxicidade pulmonar por amiodarona envolve a suspensão do medicamento, se possível, e o tratamento com corticosteroides em muitos casos. A vigilância clínica e radiológica é essencial para pacientes em uso de amiodarona, e qualquer sintoma respiratório novo ou piora deve levantar a suspeita dessa complicação. Para residentes, é fundamental estar atento a essa toxicidade e interpretar corretamente os achados da espirometria para um diagnóstico e manejo adequados.
Os sintomas incluem tosse seca, dispneia progressiva, febre baixa, perda de peso e mal-estar. Podem surgir meses a anos após o início do tratamento com amiodarona.
Na espirometria, a toxicidade pulmonar por amiodarona geralmente se manifesta como um padrão restritivo, com redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e da Capacidade Pulmonar Total (CPT), e uma relação VEF1/CVF normal ou aumentada.
Ao suspeitar, deve-se suspender a amiodarona (se clinicamente possível), realizar exames de imagem (TC de tórax) e espirometria, e considerar biópsia pulmonar para confirmação. Corticosteroides podem ser indicados para tratamento.
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