Toxicidade por Sulfato de Magnésio: Reconhecimento e Antídoto

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, de 25 anos de idade, com 34 semanas de gestação. Vinha em uso de metildopa 1 g/dia e deu entrada na maternidade, com quadro de iminência de eclâmpsia e níveis pressóricos de 170 x 120 mmHg. Foi iniciado tratamento com sulfato de magnésio (dose de ataque de 6 g) e está em uso de infusão intravenosa contínua na dose de 1 g/hora. Cerca de 4 horas após início da medicação, a paciente referiu mal-estar e tonturas. Ao exame físico: regular estado geral, sonolenta, PA = 140 x 90 mmHg, frequência respiratória = 14 irpm, frequência cardíaca = 90 bpm, reflexo patelar ausente. Nas últimas 4 horas apresentou diurese total de 70 mL. Nesse caso, é indicado

Alternativas

  1. A) aumentar dose de infusão do sulfato de magnésio para 2 g/hora. 
  2. B) administrar gluconato de cálcio, 1 g, via intravenosa, lentamente 
  3. C) aumentar infusão de cristaloides e associar furosemida, por via intravenosa. 
  4. D) administrar hidralazina, 5 mg, por via intravenosa.

Pérola Clínica

Sinais de toxicidade por sulfato de magnésio (reflexo patelar ausente, oligúria, sonolência) → Gluconato de cálcio IV.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de toxicidade por sulfato de magnésio: reflexo patelar ausente (primeiro sinal), sonolência e oligúria. A frequência respiratória de 14 irpm, embora ainda aceitável, indica uma tendência à depressão. Nesses casos, o antídoto específico é o gluconato de cálcio intravenoso.

Contexto Educacional

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões na eclâmpsia e iminência de eclâmpsia, sendo amplamente utilizado na obstetrícia. Sua ação anticonvulsivante ocorre por meio da diminuição da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e da redução da excitabilidade neuronal. No entanto, sua janela terapêutica é estreita, e a toxicidade pode ocorrer, especialmente em pacientes com disfunção renal ou em doses elevadas. A monitorização rigorosa é fundamental durante a infusão de sulfato de magnésio. Os níveis séricos de magnésio devem ser mantidos entre 4-7 mEq/L. Os sinais de toxicidade progridem com o aumento dos níveis séricos: a perda do reflexo patelar ocorre com níveis de 8-10 mEq/L, a depressão respiratória com 10-12 mEq/L e a parada cardíaca com níveis acima de 15 mEq/L. A oligúria é um sinal de alerta, pois o magnésio é excretado principalmente pelos rins, e a diminuição da diurese pode levar ao acúmulo da droga. Em caso de toxicidade, a interrupção imediata da infusão de sulfato de magnésio é a primeira medida. O antídoto específico é o gluconato de cálcio, administrado por via intravenosa lenta (1 g em 3-5 minutos), que reverte rapidamente os efeitos neuromusculares do magnésio. Além disso, medidas de suporte respiratório podem ser necessárias, e a função renal deve ser avaliada. A prevenção da toxicidade envolve a individualização da dose, o monitoramento contínuo dos reflexos patelares, frequência respiratória e diurese, e a atenção a sintomas como sonolência e mal-estar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de toxicidade por sulfato de magnésio?

Os principais sinais de toxicidade incluem a perda do reflexo patelar (primeiro sinal a aparecer), sonolência, diminuição da frequência respiratória (abaixo de 12 irpm), oligúria e, em casos mais graves, parada respiratória e cardíaca. A pressão arterial pode diminuir devido à vasodilatação.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de toxicidade por magnésio?

A conduta imediata é interromper a infusão de sulfato de magnésio e administrar gluconato de cálcio, 1 g por via intravenosa lentamente, como antídoto. É crucial monitorar a frequência respiratória, os reflexos e a diurese da paciente de perto.

Por que o gluconato de cálcio é o antídoto para a toxicidade por magnésio?

O cálcio atua como um antagonista fisiológico do magnésio, revertendo seus efeitos neuromusculares. Ele compete com o magnésio nos sítios de ligação do cálcio, especialmente na junção neuromuscular, restaurando a transmissão nervosa e a função muscular, incluindo a respiratória.

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