MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um paciente de 45 anos, com diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar, mantém-se estável há dois anos em uso de Carbonato de Lítio (900 mg/dia), com litemias de controle em torno de 0,8 mEq/L (valor de referência: 0,6 a 1,2 mEq/L). Recentemente, devido a um quadro de hipertensão arterial sistêmica, foi prescrita Hidroclorotiazida 25 mg/dia. Após dez dias do início do diurético, o paciente evoluiu com tremores grosseiros de extremidades, náuseas persistentes, ataxia e episódios de confusão mental. Uma nova litemia revelou o valor de 2,1 mEq/L. Considerando a fisiologia renal e a farmacocinética do lítio, qual o mecanismo responsável por esse quadro de toxicidade?
Sempre cheque a função renal e evite associar diuréticos tiazídicos ou AINEs a pacientes em uso de Lítio sem monitorização estrita, pois ambos reduzem a excreção do fármaco.
O lítio é um estabilizador de humor amplamente utilizado no tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar. Possui uma janela terapêutica estreita, o que significa que pequenas variações em sua concentração sérica podem levar a efeitos tóxicos. A monitorização regular da litemia é fundamental para garantir a eficácia e segurança do tratamento, e a compreensão das interações medicamentosas é crucial para evitar complicações. A farmacocinética do lítio é peculiar, sendo quase totalmente reabsorvido no túbulo contorcido proximal, de forma semelhante ao sódio. Diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, atuam no túbulo contorcido distal, inibindo a reabsorção de sódio e cloreto, o que leva a um aumento da excreção de sódio e água (natriurese e diurese). Essa depleção de volume e sódio estimula uma reabsorção compensatória de sódio no túbulo contorcido proximal. Como o lítio compartilha o mesmo mecanismo de reabsorção com o sódio no túbulo proximal, o aumento da reabsorção de sódio induzido pela tiazida resulta em um aumento concomitante da reabsorção de lítio. Isso eleva os níveis séricos de lítio, podendo precipitar um quadro de toxicidade, como observado no caso clínico. É imperativo que os médicos estejam cientes dessa interação para ajustar a dose de lítio ou considerar alternativas terapêuticas quando diuréticos tiazídicos são necessários.
Os AINEs inibem prostaglandinas renais, reduzindo a taxa de filtração glomerular e aumentando a reabsorção de sódio e lítio.
Não. O lítio circula 100% livre no plasma, por isso não sofre interações por deslocamento proteico.
Diuréticos de alça (como furosemida) têm menor impacto na litemia que os tiazídicos, mas ainda assim exigem cautela extrema.
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