UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Pacientes politraumatizados em choque hemorrágico podem necessitar de um grande volume de transfusões num curto período. Como resultado, pode haver o acúmulo de substâncias presentes em cada bolsa que alterem a homeostasia do paciente. As alterações decorrentes do acúmulo de citrato presente nas hemotransfusões podem acarretar:
Transfusão maciça → Citrato quela Cálcio → Hipocalcemia + Coagulopatia.
O citrato presente nos conservantes das bolsas de sangue atua como quelante de cálcio iônico, podendo causar hipocalcemia grave, o que compromete a contratilidade miocárdica e a cascata de coagulação.
Em pacientes politraumatizados submetidos a protocolos de transfusão maciça (geralmente definidos como >10 unidades em 24h ou >4 unidades em 1h), a toxicidade pelo citrato é uma complicação metabólica frequente. O citrato é normalmente metabolizado pelo fígado em bicarbonato, mas em estados de choque, hipotermia e disfunção hepática, esse metabolismo é prejudicado. A queda do cálcio iônico resultante tem efeitos deletérios sistêmicos: reduz a inotropia cardíaca, causa vasodilatação periférica (piorando o choque) e interrompe a cascata de coagulação. Este fenômeno faz parte da fisiopatologia da 'tríade letal' (acidose, hipotermia e coagulopatia), onde a hipocalcemia atua como um catalisador da falência hemostática.
O citrato de sódio é adicionado às bolsas de sangue para evitar a coagulação in vitro ao quelar o cálcio. Quando grandes volumes são transfundidos rapidamente, o citrato excede a capacidade de metabolismo hepático do receptor e quela o cálcio iônico circulante, reduzindo sua disponibilidade biológica.
O cálcio é o Fator IV da cascata de coagulação, essencial para a ativação de diversos complexos enzimáticos e para a agregação plaquetária. A hipocalcemia induzida pelo citrato agrava a coagulopatia do paciente traumatizado, dificultando a hemostasia.
Deve-se monitorar o cálcio iônico frequentemente. Na ausência de monitorização rápida, recomenda-se a administração empírica de 1g de gluconato de cálcio (ou cloreto de cálcio em acessos centrais) para cada 3 a 4 unidades de concentrado de hemácias transfundidas.
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