CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2016
Qual a relação apropriada entre o fármaco e seu efeito adverso? I. Difosfato de cloroquina lI. Tamoxifeno IlI. Esteroide sistêmico IV. Gentamicina A. Catarata subcapsular posterior B. Infarto macular C. Maculopatia "em alvo" D. Depósitos maculares com aspectos de cristais amarelados
Cloroquina = Alvo; Tamoxifeno = Cristais; Corticoide = Catarata SCP; Gentamicina = Infarto.
Diversos fármacos sistêmicos possuem toxicidade ocular específica; o reconhecimento dos padrões (como a maculopatia em alvo da cloroquina) é vital para a interrupção precoce.
O conhecimento dos efeitos adversos oculares de drogas sistêmicas é essencial para clínicos e oftalmologistas. A cloroquina tem afinidade pela melanina do EPR, causando dano metabólico. Os corticoides alteram o metabolismo das células do cristalino, levando à opacificação subcapsular posterior, além de aumentarem a pressão intraocular por redução do escoamento trabecular. A identificação desses padrões permite o manejo compartilhado entre especialidades, decidindo pela substituição da terapia ou intensificação do monitoramento. A prevenção é o foco, utilizando exames de imagem avançados (OCT, autofluorescência) que detectam alterações antes da perda funcional da acuidade visual.
A toxicidade pela cloroquina e hidroxicloroquina manifesta-se classicamente como uma maculopatia 'em alvo' (bull's eye maculopathy). Caracteriza-se por um anel de despigmentação do epitélio pigmentado da retina (EPR) que circunda uma área central preservada na fóvea. É uma toxicidade dose-dependente e cumulativa. O rastreamento precoce é fundamental com campo visual 10-2 e tomografia de coerência óptica (OCT), pois uma vez que a lesão é visível à fundoscopia, o dano costuma ser irreversível e pode progredir mesmo após a suspensão da droga.
O tamoxifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio usado no câncer de mama, pode causar uma retinopatia cristalina. Esta se caracteriza pela presença de depósitos amarelados, refráteis e pequenos (cristais) localizados principalmente na camada plexiforme interna da região macular. Em doses altas ou uso prolongado, pode haver também edema macular cistoide e atrofia do EPR. A monitorização oftalmológica é recomendada para pacientes em uso crônico.
A gentamicina, quando atinge concentrações tóxicas no segmento posterior (geralmente por injeção intravítrea acidental ou toxicidade direta em cirurgias), causa uma vasculopatia oclusiva retiniana grave, levando ao infarto macular. O mecanismo envolve dano direto às células endoteliais e aos fotorreceptores. Clinicamente, observa-se branqueamento retiniano, hemorragias e edema, evoluindo para atrofia óptica e perda visual severa. É uma complicação iatrogênica grave e distinta dos efeitos colaterais de drogas sistêmicas.
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