UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025
Homem de 55 anos acompanha na Estratégia da Saúde da Família com hipertensão arterial sistêmica, sem outros problemas de saúde. Frente a um difícil controle inicial da pressão arterial, estão sendo empregadas três medicações: anlodipino, captopril e hidroclorotiazida, além das medidas não farmacológicas. Atualmente está com níveis pressóricos controlados, mas queixa-se de tosse seca e de edema em membros inferiores, sintomas estes recentes, que atribui à introdução dos anti-hipertensivos. Qual das alternativas a seguir a associação correta entre cada efeito adverso mencionado e a medicação mais provável de ocasioná-lo?
Tosse seca → IECA; Edema de MMII → BCC diidropiridínico (anlodipino).
A tosse seca é um efeito adverso comum e bem conhecido dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, devido ao acúmulo de bradicinina. O edema de membros inferiores, especialmente nos tornozelos, é um efeito colateral frequente dos bloqueadores de canais de cálcio diidropiridínicos, como o anlodipino, causado pela vasodilatação arteriolar que aumenta a pressão hidrostática capilar.
O manejo da hipertensão arterial sistêmica frequentemente envolve o uso de múltiplas classes de anti-hipertensivos, e é crucial que médicos residentes e estudantes estejam familiarizados com seus perfis de efeitos adversos. A identificação correta desses efeitos permite ajustes terapêuticos que melhoram a adesão do paciente e a qualidade de vida, sem comprometer o controle pressórico. A farmacologia de cada classe dita seus efeitos colaterais específicos. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, são eficazes, mas a tosse seca persistente é um efeito adverso comum, ocorrendo em até 20% dos pacientes, devido ao acúmulo de bradicinina. Já os bloqueadores de canais de cálcio (BCC) diidropiridínicos, como o anlodipino, são potentes vasodilatadores arteriolares e frequentemente causam edema periférico, especialmente nos membros inferiores, devido ao aumento da pressão hidrostática capilar. O reconhecimento desses efeitos adversos é fundamental para a prática clínica. Em caso de tosse por IECA, a substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) é a estratégia preferencial. Para o edema induzido por BCC, pode-se considerar a redução da dose, a associação com um IECA/BRA para equilibrar a vasodilatação, ou a troca por outro anti-hipertensivo. A hidroclorotiazida, um diurético tiazídico, geralmente não causa edema periférico, mas pode levar a desidratação e desequilíbrios eletrolíticos.
A tosse seca induzida por IECA é atribuída principalmente ao acúmulo de bradicinina e outras substâncias pró-inflamatórias nas vias aéreas. A enzima conversora de angiotensina (ECA) também é responsável pela degradação da bradicinina; ao ser inibida, a bradicinina se acumula, estimulando receptores da tosse.
O anlodipino, um bloqueador de canais de cálcio diidropiridínico, causa vasodilatação arteriolar mais pronunciada do que a venular. Isso leva a um aumento da pressão hidrostática nos capilares dos membros inferiores, resultando em extravasamento de fluido para o interstício e formação de edema, geralmente bilateral e dose-dependente.
Para pacientes com tosse por IECA, a substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) é a conduta mais comum, pois os BRA não afetam o metabolismo da bradicinina. Para edema por BCC, pode-se tentar reduzir a dose, associar um IECA/BRA (que causam venodilatação e podem contrabalançar o efeito) ou trocar por outro anti-hipertensivo.
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