Tosse Crônica por IECA: Diagnóstico e Manejo Clínico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 50 anos procurou o médico com queixas de tosse seca há 6 meses. Nega qualquer outro sintoma. De comorbidades refere, apenas, hipertensão arterial, controlada com enalapril. Nega passado de tabagismo e de asma na infância. Qual das opções abaixo é considerada mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Solicitar endoscopia digestiva alta
  2. B) Trocar o medicamento anti-hipertensivo
  3. C) Solicitar espirometria
  4. D) Solicitar radiografia de seios da face
  5. E) Prescrever broncodilatador

Pérola Clínica

Tosse seca crônica em paciente hipertenso usando IECA → alta suspeita de tosse induzida por IECA. Trocar medicação.

Resumo-Chave

A tosse seca é um efeito colateral comum dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, afetando até 20% dos pacientes. Geralmente, é uma tosse irritativa, não produtiva, que pode surgir semanas ou meses após o início do tratamento. A conduta mais adequada é a suspensão ou troca do IECA por outra classe de anti-hihipertensivos, como os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), para confirmar a relação causal e aliviar o sintoma.

Contexto Educacional

A tosse crônica é uma queixa comum na prática clínica, e a investigação etiológica pode ser desafiadora. É fundamental que residentes e estudantes de medicina considerem as causas farmacológicas, especialmente o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril. A tosse induzida por IECA é um efeito adverso bem estabelecido, que pode afetar uma parcela significativa dos pacientes e impactar negativamente a adesão ao tratamento anti-hipertensivo. O diagnóstico da tosse por IECA é de exclusão e se baseia na história clínica detalhada e na resposta à suspensão ou troca do medicamento. A fisiopatologia envolve o acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas, que são substratos da ECA e têm seu metabolismo inibido pelos IECA. Esse acúmulo leva à irritação e ao reflexo da tosse. A suspeita deve ser alta em pacientes com tosse seca persistente, sem outras causas aparentes, e que estejam em uso de IECA. A conduta mais adequada é a substituição do IECA por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), que não interfere no metabolismo da bradicinina e, portanto, não causa tosse. A melhora do sintoma em algumas semanas após a troca confirma o diagnóstico e permite a manutenção do controle pressórico com uma classe de medicamentos igualmente eficaz e bem tolerada. É crucial orientar o paciente sobre essa possibilidade para evitar investigações desnecessárias e garantir a adesão ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da tosse induzida por IECA?

A tosse induzida por IECA é tipicamente seca, irritativa, persistente e não produtiva. Pode surgir semanas ou meses após o início do tratamento e geralmente não está associada a outros sintomas respiratórios, como dispneia ou sibilância.

Qual a conduta inicial para tosse crônica em paciente usando IECA?

A conduta inicial é suspeitar da tosse induzida por IECA e considerar a suspensão do medicamento ou sua substituição por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA). A melhora da tosse em algumas semanas confirma o diagnóstico.

Por que os IECA causam tosse?

Os IECA inibem a degradação da bradicinina e da substância P nos brônquios. O acúmulo dessas substâncias pode irritar as vias aéreas, levando à tosse. Esse mecanismo é o principal responsável por esse efeito adverso.

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