HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Homem, 48 anos de idade, com diagnóstico de hiperlidipidemia há 10 anos, hipotireoidismo há 5 anos, hipertensão há 2 anos. Em uso contínuo de levotiroxina, sinvastatina, enalapril e hidroclorotiazida. Queixa-se de tosse seca há 8 meses, sem relação com decúbito. Nega quaisquer outros sintomas. Apresenta os resultados de exames complementares e radiografia de tórax reproduzidos a seguir: Qual deve ser a conduta neste momento para a queixa do paciente?
Tosse seca crônica + uso de IECA → suspender IECA, substituir por BRA ou BCC.
A tosse seca é um efeito adverso comum dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, ocorrendo em até 20% dos pacientes. A conduta correta é suspender o IECA e substituí-lo por outra classe de anti-hipertensivos, como um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) ou um bloqueador dos canais de cálcio (BCC), como o anlodipino.
A tosse crônica é uma queixa comum na prática clínica, e a investigação de suas causas exige uma abordagem sistemática. Entre as etiologias, a tosse induzida por medicamentos, especialmente pelos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), é frequentemente subestimada, mas representa uma causa importante e reversível. Os IECAs, como o enalapril, são amplamente utilizados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. No entanto, um efeito adverso bem conhecido é a tosse seca, persistente e não produtiva, que pode ocorrer em até 20% dos pacientes. Essa tosse é mediada pelo acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas, devido à inibição da enzima que os degrada. Diante de um paciente em uso de IECA com tosse seca crônica, sem outras causas evidentes, a conduta mais apropriada é a suspensão do medicamento. A tosse geralmente melhora em poucos dias a semanas após a interrupção. A substituição do IECA por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), que não interfere na degradação da bradicinina, ou por um bloqueador dos canais de cálcio (BCC), como o anlodipino, é a estratégia recomendada para manter o controle da hipertensão sem o efeito adverso da tosse.
A tosse induzida por IECA é causada pelo acúmulo de bradicinina e substância P na via aérea, devido à inibição da enzima conversora de angiotensina, que normalmente degrada essas substâncias.
A tosse pode surgir a qualquer momento após o início do IECA, desde horas até meses ou anos, e geralmente desaparece em dias a semanas após a suspensão do medicamento.
Para pacientes que desenvolvem tosse com IECA, as alternativas incluem bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), como losartana ou valsartana, ou bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), como anlodipino.
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