PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Mulher de 35 anos informa tosse seca presente há três meses. Ela nega ortopneia, dispneia paroxística noturna, febre, perda de peso e dor torácica. É portadora de insuficiência cardíaca idiopática com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 40%. Nega tabagismo e etilismo. em uso regular de enalapril, carvedilol, espironolactona e furosemida há seis meses. Ao exame físico, apresenta PA 100/70mmHg, FC 55bpm, FR 13irpm e SpO₂ em ar ambiente 97%. O exame cardiovascular revela ictus cordis desviado lateral e inferiormente, e o pulso venoso jugular é normal. A ausculta cardíaca não revela alterações. O restante do exame físico é normal. A radiografia do tórax não apresenta anormalidades. Assinale a conduta inicial MAIS ADEQUADA nesse caso.
Tosse seca crônica em uso de IECA → Suspeitar de efeito adverso do IECA. Substituir por BRA.
A tosse seca crônica é um efeito adverso comum dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, devido ao acúmulo de bradicinina. Em pacientes com insuficiência cardíaca que desenvolvem essa tosse, a conduta mais adequada é substituir o IECA por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana, que não causa esse efeito.
A tosse seca crônica é uma queixa comum na prática clínica, e a investigação etiológica pode ser desafiadora. Em pacientes com insuficiência cardíaca, é fundamental considerar causas cardíacas e pulmonares, mas também efeitos adversos de medicações. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, são pilares no tratamento da insuficiência cardíaca, mas são conhecidos por induzir tosse seca em cerca de 5-20% dos pacientes. A fisiopatologia da tosse induzida por IECA está relacionada ao acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas, devido à inibição da enzima conversora de angiotensina, que também degrada esses peptídeos. A tosse é tipicamente seca, persistente, e pode ser bastante incômoda, impactando a qualidade de vida do paciente. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas comuns de tosse crônica. A conduta mais adequada, uma vez suspeitada a tosse por IECA, é a substituição do medicamento por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana. Os BRA atuam em um ponto diferente do sistema renina-angiotensina-aldosterona, bloqueando diretamente o receptor AT1 da angiotensina II, sem interferir na degradação da bradicinina. Dessa forma, mantêm os benefícios cardiovasculares dos IECA sem o efeito adverso da tosse, proporcionando alívio dos sintomas e adesão ao tratamento.
Os IECA inibem a degradação da bradicinina, um peptídeo que se acumula nas vias aéreas e estimula receptores da tosse. Essa tosse é tipicamente seca, persistente e não responsiva a antitussígenos comuns.
A conduta inicial mais adequada é substituir o enalapril por um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana. Os BRA oferecem benefícios cardiovasculares semelhantes aos IECA, mas sem o efeito adverso da tosse, pois não interferem na degradação da bradicinina.
A tosse induzida por IECA é geralmente seca, persistente, pode ser paroxística e não está associada a outros sintomas respiratórios como dispneia ou febre. Pode surgir semanas ou meses após o início do tratamento e desaparece em dias a semanas após a interrupção do IECA.
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