UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2017
Criança de 4 anos de idade, que nunca ficou doente, vem à consulta médica acompanhada de sua mãe, com história de tosse há 4 semanas. A mãe refere que no início apresentou quadro de resfriado com febre baixa por 3 dias. A criança não possui antecedentes familiares de asma ou rinite. A mãe refere que um tio paterno, o qual não tem contato com a criança, encontra-se em tratamento para tuberculose. Nasceu departo normal, a termo, sem intercorrências no período neonatal. Ao exame, apresenta peso e estatura entre o escore-Z (0 a +1), FC = 115 bpm, FR = 21 irpm, afebril. Ao exame físico: otoscopia normal, orofaringe normal, rinoscopia com secreção aquosa, ausculta pulmonar com estertores grossos e ausculta cardíaca normal, abdome normal e membros sem alterações. Qual conduta adotar nesse caso?
Tosse úmida crônica em criança sem outros sinais de alerta → Bronquite Bacteriana Prolongada (BBP), tratar com ATB.
A tosse úmida persistente por mais de 4 semanas em uma criança previamente saudável, sem sinais de alerta para outras condições graves (como TB, asma, fibrose cística), sugere bronquite bacteriana prolongada, que responde bem a antibióticos com cobertura para patógenos respiratórios comuns.
A tosse crônica em crianças, definida como tosse que persiste por mais de quatro semanas, é uma queixa comum na pediatria e pode ser um desafio diagnóstico. É fundamental uma abordagem sistemática para identificar a causa subjacente, que pode variar desde condições benignas pós-virais até doenças mais graves como asma, refluxo gastroesofágico, tuberculose ou fibrose cística. A história clínica detalhada, incluindo características da tosse (seca ou úmida), fatores desencadeantes e sintomas associados, é crucial. No caso de uma criança previamente saudável com tosse úmida persistente, sem sinais de alerta (como perda de peso, febre alta, hemoptise, sibilância recorrente ou história familiar de doenças graves), a bronquite bacteriana prolongada (BBP) deve ser fortemente considerada. A BBP é uma infecção bacteriana crônica das vias aéreas inferiores que não se enquadra nos critérios de pneumonia, mas que mantém uma tosse produtiva. Sua fisiopatologia envolve a persistência de bactérias que causam inflamação e produção de muco. O manejo da BBP envolve um teste terapêutico com antibióticos de amplo espectro, preferencialmente aqueles resistentes a betalactamases, como amoxicilina-clavulanato, por um período de 2 a 4 semanas. A melhora clínica da tosse é o principal critério diagnóstico e de sucesso terapêutico. A falha no tratamento antibiótico deve levar à reavaliação e investigação de outras causas de tosse crônica, como asma, discinesia ciliar primária ou fibrose cística, com exames complementares como radiografia de tórax, espirometria ou testes específicos.
A BBP é caracterizada por tosse úmida crônica (>4 semanas) em criança imunocompetente, sem outros sinais de alerta, e que responde clinicamente a um curso de antibióticos apropriados (geralmente 2-4 semanas).
O tratamento de primeira linha é um antibiótico com cobertura para patógenos respiratórios comuns, como amoxicilina-clavulanato, por um período de 2 a 4 semanas. Macrolídeos como a azitromicina também podem ser considerados.
A BBP se diferencia pela tosse úmida persistente, ausência de sibilância, dispneia ou outros sinais de doença sistêmica, e pela resposta positiva ao tratamento antibiótico. Asma, refluxo e tuberculose devem ser considerados se houver outros sintomas ou falha terapêutica.
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