UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Escolar, 7 anos de idade, com quadro de tosse crônica. Quanto ao diagnóstico diferencial da tosse crônica na infância e com base em dados da anamnese ou achados do exame físico, a correlação adequada é:
Tosse crônica em criança com encefalopatia hipóxico-isquêmica → investigar broncoaspiração.
Crianças com condições neurológicas prévias, como encefalopatia hipóxico-isquêmica, têm maior risco de disfagia e broncoaspirações de repetição. A tosse crônica nesses casos pode ser um sinal de aspiração de alimentos ou secreções, necessitando de investigação específica.
A tosse crônica na infância é um desafio diagnóstico, exigindo uma abordagem sistemática. É definida como tosse que persiste por mais de quatro semanas. As causas são variadas, incluindo asma, rinossinusite, refluxo gastroesofágico, infecções respiratórias recorrentes e, em casos específicos, broncoaspiração. A prevalência de tosse crônica em crianças é significativa, impactando a qualidade de vida e o desenvolvimento. A fisiopatologia da tosse crônica por broncoaspiração está ligada à disfunção da deglutição, comum em crianças com condições neurológicas como a encefalopatia hipóxico-isquêmica. A aspiração de alimentos, líquidos ou secreções para as vias aéreas inferiores desencadeia um reflexo de tosse protetor, mas quando crônica, pode levar a infecções pulmonares de repetição, pneumonias aspirativas e comprometimento nutricional. A suspeita deve surgir em crianças com histórico neurológico e tosse persistente, especialmente relacionada à alimentação. O tratamento da tosse crônica por broncoaspiração foca na causa subjacente da disfagia, com intervenções como terapia fonoaudiológica, modificações dietéticas (espessamento de líquidos), e em casos graves, gastrostomia para alimentação segura. O prognóstico depende da gravidade da disfagia e da condição neurológica de base. É crucial que residentes e estudantes de medicina considerem um amplo diagnóstico diferencial e valorizem a anamnese detalhada, incluindo o histórico neurológico, para um manejo adequado e prevenção de complicações.
Sinais incluem tosse durante ou após alimentação, engasgos frequentes, infecções respiratórias de repetição, perda de peso e cianose perioral durante as refeições.
A investigação pode incluir videofluoroscopia da deglutição (exame padrão-ouro), endoscopia digestiva alta para avaliar refluxo gastroesofágico e, em alguns casos, broncoscopia para identificar aspiração de corpo estranho ou inflamação crônica.
A asma geralmente responde a broncodilatadores e corticosteroides, com sibilos e histórico familiar de atopia. A broncoaspiração está associada a eventos de deglutição, histórico neurológico e exames específicos para disfagia.
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