Tosse Crônica e RGE: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 27 anos de idade, auxiliar de limpeza, com queixa de tosse seca intermitente há 3 anos. Tem rinossinusite alérgica e faz uso regular de beclometasona nasal. Nega dispneia e sibilos. Tem regurgitação e pirose. Nunca fumou. Exame físico sem alterações dignas de nota, exceto sobrepeso (IMC 28 kg/m²). Rx de tórax e espirometria normais. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Teste molecular para Mycobacterium tuberculosis no escarro induzido.
  2. B) Tomagrafia de tórax de alta resolução.
  3. C) Nasofibroscopia.
  4. D) Teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons e orientações dietético-posturais.

Pérola Clínica

Tosse crônica + sintomas RGE + exames normais → Teste terapêutico IBP + medidas comportamentais.

Resumo-Chave

Em pacientes com tosse crônica sem causa aparente após investigação inicial (ex: RX tórax, espirometria normais) e com sintomas sugestivos de refluxo gastroesofágico, um teste terapêutico com inibidores de bomba de prótons (IBP) e modificações de estilo de vida é a conduta mais adequada.

Contexto Educacional

A tosse crônica, definida como tosse persistente por mais de 8 semanas, é um sintoma comum que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Em não fumantes com radiografia de tórax normal, as causas mais frequentes são a Síndrome da Tosse das Vias Aéreas Superiores (STVAS), a asma (incluindo a variante da tosse) e o refluxo gastroesofágico (RGE). A investigação deve seguir uma abordagem sistemática para identificar a etiologia. O refluxo gastroesofágico é uma causa subestimada de tosse crônica, podendo manifestar-se apenas com a tosse, sem os sintomas típicos de pirose ou regurgitação. A fisiopatologia envolve tanto a microaspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas quanto um reflexo vagal esofagobrônquico. O diagnóstico definitivo pode ser desafiador, e a pHmetria esofágica de 24 horas é o padrão-ouro, mas um teste terapêutico é frequentemente a primeira abordagem. A conduta mais adequada para a tosse crônica por RGE é um teste terapêutico com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose dupla, por um período de 8 a 12 semanas, associado a orientações dietético-posturais (elevar a cabeceira da cama, evitar refeições próximas ao deitar, reduzir alimentos que relaxam o esfíncter esofágico inferior). A resposta ao tratamento pode demorar, e a adesão é crucial para o sucesso.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de tosse crônica em não fumantes com RX de tórax normal?

As três principais causas são Síndrome da Tosse das Vias Aéreas Superiores (anteriormente gotejamento pós-nasal), asma (incluindo variante da tosse) e refluxo gastroesofágico (RGE). Outras causas incluem bronquite eosinofílica não asmática e uso de IECA.

Como o refluxo gastroesofágico pode causar tosse crônica?

O RGE pode causar tosse crônica por dois mecanismos principais: microaspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas, irritando a mucosa, ou por um reflexo vagal esofagobrônquico, onde a irritação do esôfago desencadeia a tosse reflexamente, mesmo sem aspiração.

Qual a duração e dose do teste terapêutico com IBP para tosse crônica por RGE?

O teste terapêutico com IBP geralmente envolve uma dose dupla (ex: omeprazol 20mg 2x/dia) por um período de 8 a 12 semanas. É importante associar orientações dietético-posturais para maximizar a eficácia do tratamento.

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