UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Menino de 12 anos apresentou quadro de dor testicular aguda à esquerda de grande intensidade com 5 horas de evolução, não associado a trauma, tendo sido encaminhado à Emergência. Após avaliação inicial, o cirurgião plantonista solicitou ultrassonografia com Doppler, porém esse exame em caráter de urgência não está disponível no hospital. Considerando o quadro clínico, qual a conduta mais adequada?
Dor testicular aguda + USG indisponível = Exploração cirúrgica imediata (suspeita torsão).
Dor testicular aguda em crianças e adolescentes é uma emergência urológica até prova em contrário, sendo a torsão testicular a principal preocupação. A isquemia testicular é tempo-dependente; a ausência de ultrassonografia com Doppler não deve atrasar a exploração cirúrgica, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica.
A dor testicular aguda em crianças e adolescentes é uma emergência médica que exige avaliação e intervenção rápidas, sendo a torsão testicular a principal causa a ser descartada. A torsão ocorre quando o testículo gira sobre seu próprio eixo, comprometendo o fluxo sanguíneo e levando à isquemia. A incidência é maior em neonatos e na puberdade, mas pode ocorrer em qualquer idade. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor súbita e intensa, e no exame físico que pode revelar testículo elevado, horizontalizado, doloroso e ausência do reflexo cremastérico. Embora a ultrassonografia com Doppler seja o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, sua indisponibilidade ou atraso não deve postergar a exploração cirúrgica. A conduta mais adequada é a exploração cirúrgica imediata. Durante a cirurgia, o testículo é destorcido e sua viabilidade avaliada. Se viável, realiza-se a orquidopexia (fixação) do testículo afetado e, preventivamente, do contralateral, devido à natureza bilateral da anomalia anatômica subjacente. A demora no tratamento pode resultar em necrose testicular e necessidade de orquiectomia.
A torsão testicular geralmente se manifesta com dor testicular aguda e intensa, de início súbito, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado e doloroso à palpação, com reflexo cremastérico ausente.
O tempo é crítico na torsão testicular, pois a viabilidade do testículo diminui rapidamente com a duração da isquemia. A taxa de salvamento é alta nas primeiras 6 horas, mas cai drasticamente após 12-24 horas, podendo levar à orquiectomia.
A orquidopexia bilateral é realizada porque a condição que predispõe à torsão (fixação inadequada do testículo na túnica vaginal, ou 'deformidade em badalo de sino') é frequentemente bilateral. Fixar ambos os testículos previne a torsão contralateral futura.
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