SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente de 26 anos, sexo masculino, acompanhado por esquizofrenia é atendido na emergência por importante agitação. Foi realizada contenção física e administrado 10mg de haloperidol. Após 30 minutos, paciente está torporoso, pouco responsivo, com pressão arterial de 60x30mmHg, taquicárdico com pulso filiforme, saturação periférica de O₂ de 95%. Ainda não há exames laboratoriais disponíveis. Eletrocardiograma realizado foi o seguinte:Conferir figura correspondente com melhor resolução no anexo (FIGURA)Qual a melhor conduta a ser adotada?
Haloperidol + hipotensão grave + ECG com TV polimórfica/Torsades → Desfibrilação imediata.
O haloperidol pode prolongar o intervalo QT, levando a arritmias ventriculares graves como Torsades de Pointes ou taquicardia ventricular polimórfica, especialmente em pacientes com fatores de risco. Diante de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, torpor) associada a essas arritmias, a desfibrilação imediata é a conduta salvadora de vida.
A Torsades de Pointes é uma forma de taquicardia ventricular polimórfica caracterizada por uma torção do eixo do QRS no eletrocardiograma, frequentemente associada ao prolongamento do intervalo QT. É uma arritmia grave que pode levar à fibrilação ventricular e morte súbita, sendo uma emergência médica. O haloperidol, um antipsicótico de primeira geração, é conhecido por seu potencial de prolongar o intervalo QT, especialmente em doses elevadas ou em pacientes com fatores de risco. A fisiopatologia envolve o bloqueio dos canais de potássio cardíacos (IKr), o que retarda a repolarização ventricular e prolonga o QT. Em um paciente com esquizofrenia e agitação, o uso de haloperidol é comum, mas a monitorização do QT é crucial. A apresentação clínica de hipotensão grave, torpor e pulso filiforme indica instabilidade hemodinâmica, exigindo intervenção imediata. O ECG, que mostraria a Torsades de Pointes, confirmaria a natureza da arritmia. Diante de Torsades de Pointes com instabilidade hemodinâmica, a conduta de escolha é a desfibrilação imediata, pois a cardioversão sincronizada pode ser ineficaz ou atrasar o tratamento em uma arritmia polimórfica. Após a estabilização, o sulfato de magnésio é o tratamento farmacológico de primeira linha para Torsades, independentemente dos níveis séricos de magnésio, e a correção de distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia) é fundamental. A identificação e interrupção do agente causador são essenciais para prevenir recorrências.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão grave, alteração aguda do nível de consciência (torpor, síncope), sinais de choque (pulsos filiformes, pele fria e pegajosa), e dor torácica isquêmica.
O haloperidol, como outros antipsicóticos, pode prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma, aumentando o risco de desenvolver Torsades de Pointes, uma taquicardia ventricular polimórfica que pode degenerar em fibrilação ventricular.
A cardioversão é sincronizada com o complexo QRS e é usada em taquiarritmias com pulso, mas com instabilidade. A desfibrilação é um choque não sincronizado, indicada em arritmias sem pulso (fibrilação ventricular, taquicardia ventricular sem pulso) ou em taquiarritmias com instabilidade hemodinâmica grave e sem tempo para sincronização.
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