Torsades de Pointes: Manejo de Emergência e Desfibrilação

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Homem, 64 anos de idade, em uso de hidroxicloroquina e azitromicina, chegou hipotenso ao PS com PA= 80/60 mmHg, apresentando no monitor torsades de pointes. Qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Sulfato de magnésio 2g IV.
  2. B) Amiodarona 150mg IV.
  3. C) Cardioversão 100 j.
  4. D) Desfibrilação 200 j

Pérola Clínica

Torsades de Pointes + instabilidade hemodinâmica (hipotensão) → Desfibrilação imediata.

Resumo-Chave

A Torsades de Pointes é uma taquicardia ventricular polimórfica que pode ser induzida por medicamentos que prolongam o intervalo QT, como hidroxicloroquina e azitromicina. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, a conduta de escolha é a desfibrilação imediata, pois a cardioversão sincronizada pode ser ineficaz ou difícil devido à natureza polimórfica da arritmia.

Contexto Educacional

A Torsades de Pointes (TdP) é uma forma de taquicardia ventricular polimórfica que se caracteriza por uma alteração na morfologia dos complexos QRS, que parecem 'torcer' em torno de uma linha de base isoelétrica. É uma arritmia grave que pode degenerar em fibrilação ventricular e levar à morte súbita. Sua ocorrência está frequentemente associada ao prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma, seja por causas congênitas ou, mais comumente, por causas adquiridas, como o uso de certos medicamentos (ex: antiarrítmicos, antibióticos macrolídeos como azitromicina, antimaláricos como hidroxicloroquina) ou distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia). O diagnóstico da TdP é feito pelo eletrocardiograma. A conduta imediata depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. No caso de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, choque, síncope ou alteração do nível de consciência, a TdP é considerada uma emergência médica que requer intervenção imediata. A cardioversão sincronizada pode ser difícil devido à natureza polimórfica da arritmia, tornando a desfibrilação não sincronizada a terapia de escolha. Para pacientes instáveis com TdP, a desfibrilação elétrica é a conduta mais adequada e urgente. A energia recomendada é de 120-200 Joules para desfibriladores bifásicos ou 200-360 Joules para monofásicos. Após a desfibrilação, o sulfato de magnésio intravenoso (2g em bolus) é o tratamento farmacológico de escolha, pois ajuda a encurtar o intervalo QT e estabilizar o miocárdio, independentemente dos níveis séricos de magnésio. A identificação e correção da causa subjacente (ex: suspensão de medicamentos, correção de eletrólitos) são cruciais para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

O que é Torsades de Pointes e quais suas causas comuns?

Torsades de Pointes é uma taquicardia ventricular polimórfica caracterizada por complexos QRS que parecem torcer em torno de uma linha de base. É frequentemente causada por prolongamento do intervalo QT, induzido por medicamentos (ex: antiarrítmicos, macrolídeos, antipsicóticos) ou distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia).

Qual a conduta inicial para Torsades de Pointes com instabilidade hemodinâmica?

Em caso de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, alteração do nível de consciência), a conduta mais adequada e urgente é a desfibrilação elétrica não sincronizada, com energia de 120-200 Joules (bifásica) ou 200-360 Joules (monofásica).

Quando o sulfato de magnésio é indicado para Torsades de Pointes?

O sulfato de magnésio é o tratamento farmacológico de escolha para Torsades de Pointes, independentemente dos níveis séricos de magnésio. É administrado após a desfibrilação em pacientes instáveis ou como primeira linha em pacientes estáveis, para encurtar o intervalo QT.

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