UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Paciente de 55 anos foi hospitalizada por insuficiência cardíaca, tendo evoluído para parada cardíaca. Exames laboratoriais iniciais indicaram potássio de 3 mEq/l (valor de referência: 3,6-5,2 mEq/l), magnésio de 1,2 mg/dl (valor de referência: 1,7-2,1 mg/dl) e creatinina de 0,8 mg/dl (valor de referência: 0,6-1,3 mg/dl). O eletrocardiograma reproduzido abaixo mostra o ritmo inicial. Com base nas informações, assinale a alternativa que contempla o tratamento apropriado para a paciente.
Parada cardíaca por Torsades de Pointes (hipomagnesemia/hipocalemia) → Choque não sincronizado + Sulfato de Magnésio IV.
A hipomagnesemia e a hipocalemia são importantes fatores de risco para arritmias ventriculares, especialmente Torsades de Pointes, que pode degenerar em parada cardíaca. Em caso de parada cardíaca com ritmo chocável (FV/TV sem pulso, incluindo Torsades), a desfibrilação não sincronizada é prioritária, e a reposição de magnésio é crucial para Torsades.
A Torsades de Pointes é uma forma de taquicardia ventricular polimórfica caracterizada por complexos QRS que parecem torcer em torno da linha de base do ECG, frequentemente associada ao prolongamento do intervalo QT. É uma arritmia grave que pode degenerar em fibrilação ventricular e parada cardíaca. Fatores de risco incluem distúrbios eletrolíticos como hipomagnesemia e hipocalemia, além de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve a repolarização ventricular heterogênea, que cria um substrato para reentrada e atividade elétrica anormal. A hipomagnesemia e a hipocalemia agravam essa instabilidade elétrica. O diagnóstico é feito pelo ECG, que mostra o padrão característico de Torsades de Pointes. Em um cenário de parada cardíaca, a identificação do ritmo é crucial para guiar o tratamento. O tratamento de Torsades de Pointes em parada cardíaca (sem pulso) segue os princípios do ACLS para FV/TV sem pulso, com desfibrilação não sincronizada imediata. Além disso, o sulfato de magnésio intravenoso é o tratamento de primeira linha para Torsades de Pointes, mesmo que os níveis séricos de magnésio estejam normais, devido ao seu efeito estabilizador da membrana. A correção de outras anormalidades eletrolíticas, como a hipocalemia, também é fundamental.
A hipomagnesemia pode prolongar o intervalo QT e aumentar a excitabilidade miocárdica, predispondo a arritmias ventriculares graves como a Torsades de Pointes.
O choque sincronizado é para taquiarritmias com pulso. O choque não sincronizado (desfibrilação) é para ritmos de parada cardíaca chocáveis, como fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso.
Em parada cardíaca por Torsades de Pointes, a conduta inclui desfibrilação não sincronizada imediata e administração de sulfato de magnésio intravenoso, independentemente dos níveis séricos de magnésio.
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