FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menino, 12 anos de idade, Tanner 2, tem dor em região inguinal e testículo direito há 4 horas. Medicado com dipirona, persiste com dor importante. Nega febre, trauma e dor ao urinar. Ao exame, o testículo está aumentado, endurecido e doloroso à palpação, elevado e com eritema. O reflexo cremastérico está ausente. O diagnóstico provável para o quadro é
Dor testicular aguda + reflexo cremastérico ausente + testículo elevado/endurecido → Torção de testículo (urgência cirúrgica).
A torção de testículo é uma emergência urológica que requer diagnóstico e intervenção cirúrgica imediatos para preservar a viabilidade testicular. A tríade clássica de dor aguda, testículo elevado e reflexo cremastérico ausente é altamente sugestiva.
A torção de testículo é uma emergência urológica que ocorre quando o cordão espermático se torce, comprometendo o suprimento sanguíneo do testículo. É mais comum em adolescentes (especialmente entre 12 e 18 anos, como no caso do paciente Tanner 2), mas pode ocorrer em qualquer idade. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a salvaguarda do testículo, pois a isquemia prolongada leva à necrose. O quadro clínico típico é de dor testicular aguda e intensa, de início súbito, que pode irradiar para a região inguinal. Ao exame físico, o testículo afetado geralmente está elevado, horizontalizado e endurecido, com eritema escrotal. O sinal mais patognomônico é a ausência do reflexo cremastérico no lado afetado. A diferenciação com orquiepididimite (que geralmente tem início mais gradual, febre e reflexo cremastérico presente) é vital. O diagnóstico é primariamente clínico, e a suspeita deve levar à exploração cirúrgica imediata. O ultrassom Doppler pode auxiliar, mas não deve atrasar a cirurgia se a suspeita clínica for alta. O tratamento consiste na detorção cirúrgica e fixação (orquidopexia) de ambos os testículos para prevenir recorrências e torção contralateral. O prognóstico depende diretamente do tempo entre o início dos sintomas e a cirurgia; após 6-8 horas, a taxa de salvamento testicular diminui drasticamente.
Os sinais clássicos incluem dor testicular aguda e intensa, início súbito, testículo elevado e horizontalizado, endurecido e doloroso à palpação, e ausência do reflexo cremastérico no lado afetado. Pode haver também eritema escrotal.
A ausência do reflexo cremastérico (contração do músculo cremaster em resposta ao toque na coxa ipsilateral) é um sinal altamente sugestivo de torção testicular, pois a isquemia do testículo e do cordão espermático afeta a inervação e a função muscular.
A conduta imediata é o encaminhamento urgente para avaliação urológica e exploração cirúrgica. O tempo é crucial para a viabilidade testicular; a detorção manual pode ser tentada, mas não substitui a cirurgia definitiva, que inclui orquidopexia bilateral.
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