SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Criança de 10 anos de idade é levada à emergência apresentando dor em região escrotal esquerda, há três horas. Durante o exame físico, foram notados aumento de volume e hiperemia nessa mesma região. Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta adequada, nesse momento, é:
Dor escrotal aguda em criança → Torção testicular até prova em contrário = emergência cirúrgica.
A dor escrotal aguda em crianças é uma emergência urológica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para preservar a viabilidade testicular. A torção testicular é a principal hipótese e a conduta é cirúrgica imediata, pois o tempo é crucial para evitar a necrose do testículo.
A torção testicular é uma emergência urológica pediátrica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para preservar a função testicular. Afeta principalmente neonatos e adolescentes, mas pode ocorrer em qualquer idade. A incidência é de cerca de 1 em 4.000 homens com menos de 25 anos, sendo a principal causa de perda testicular em crianças. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo e do cordão espermático, levando à oclusão vascular e isquemia. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na dor escrotal súbita e intensa, edema, hiperemia e elevação do testículo afetado. O reflexo cremastérico geralmente está ausente. O ultrassom Doppler pode auxiliar na confirmação, mostrando ausência de fluxo sanguíneo, mas não deve atrasar a exploração cirúrgica se a suspeita clínica for alta. O tratamento é cirúrgico, consistindo na destorção manual (se possível) seguida de orquidopexia bilateral para fixar ambos os testículos e prevenir recorrências. O prognóstico depende diretamente do tempo de isquemia; taxas de salvamento são altas se a cirurgia ocorrer em até 6 horas, mas diminuem drasticamente após esse período. A orquiectomia pode ser necessária em casos de necrose testicular irreversível.
A torção testicular manifesta-se com dor escrotal súbita e intensa, unilateral, que pode irradiar para o abdome inferior. O escroto pode apresentar aumento de volume, hiperemia e sensibilidade ao toque, com ausência do reflexo cremastérico.
O tempo é um fator crítico. A viabilidade testicular diminui drasticamente após 6 horas de isquemia. A intervenção cirúrgica deve ser realizada o mais rápido possível para maximizar as chances de salvamento do testículo.
A torção testicular é uma emergência. Outras causas incluem apendicite testicular (hidátide torcida), que geralmente tem dor menos intensa e o "sinal do ponto azul", e orquiepididimite, mais comum em adolescentes, com febre e disúria. O ultrassom Doppler é fundamental para o diagnóstico diferencial.
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