HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Paciente 14 anos, sexo masculino, levado a emergência por sua mae referindo dor testicular a esquerda. Exame físico difícil pois paciente estava pouco colaborativo, sendo observada a ectoscopia discreto edema de bolsa escrotal. Refere ter jogado bola no dia anterior mas nega história de trauma. A conduta mais acertada para esse caso é:
Dor testicular súbita + reflexo cremastérico ausente → Torção testicular (emergência).
Em adolescentes com dor testicular aguda e exame físico inconclusivo, a prioridade é excluir torção testicular. O USG Doppler é o padrão-ouro para avaliar o fluxo sanguíneo.
A torção testicular é uma emergência urológica causada pela rotação do cordão espermático, levando à interrupção do fluxo sanguíneo venoso e, posteriormente, arterial. É mais comum em adolescentes devido à deformidade em 'badalo de sino'. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por dor súbita, náuseas e elevação do testículo (sinal de Brunzel). O manejo exige rapidez. O USG com Doppler colorido é a ferramenta de escolha para confirmar a ausência de fluxo, mas a avaliação clínica soberana pode indicar exploração cirúrgica direta. O tratamento consiste na distorção manual seguida de orquidopexia bilateral definitiva para prevenir recorrências.
O prognóstico de viabilidade testicular é altamente dependente do tempo. Intervenções realizadas dentro das primeiras 6 horas do início dos sintomas apresentam taxas de salvamento superiores a 90%. Após 12 horas, a taxa cai para cerca de 50%, e após 24 horas, a necrose isquêmica é quase certa, resultando em orquiectomia na maioria dos casos.
O USG Doppler é indicado quando há dúvida diagnóstica e o quadro clínico não é clássico. No entanto, se a suspeita clínica de torção for muito alta (escore TWIST elevado), a exploração cirúrgica imediata não deve ser retardada pela realização de exames de imagem, visando minimizar o tempo de isquemia.
Os principais diferenciais incluem a torção de apêndice testicular (hidátide de Morgagni), que costuma ter início mais insidioso e o sinal do 'blue dot', e a orquiepididimite, geralmente associada a sintomas urinários, febre e reflexo cremastérico preservado. A torção testicular permanece a hipótese mais grave a ser excluída.
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