Dor Escrotal Aguda: Diferenciando Torção Testicular e Epididimite

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Roberto, 50 anos de idade, chega ao pronto-socorro relatando dor na hemi-bolsa escrotal direita há cerca de quatro horas, após uma partida de futebol e concomitante aumento de volume do conteúdo intraescrotal. Ao exame nota-se dor e aumento do volume do epidídimo e testículo. Assinalar a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) o provável diagnóstico é torção testicular
  2. B) o paciente está fora da faixa etária para torção testicular
  3. C) exame de ultrassonografia doppler pode ser útil desde que disponível rapidamente 
  4. D) o fato de se palpar nitidamente o testículo e o epidídimo é relevante para o diagnóstico 
  5. E) pode haver prostatite associada ao quadro

Pérola Clínica

Dor escrotal aguda em adulto > 30 anos com epidídimo/testículo palpáveis e dolorosos → pensar em epididimite/orquiepididimite, não torção testicular.

Resumo-Chave

A torção testicular é mais comum em neonatos e adolescentes (pico entre 12-18 anos), sendo rara após os 30 anos. Em adultos, a dor escrotal aguda, especialmente com aumento de volume e dor à palpação do epidídimo e testículo, sugere mais frequentemente epididimite ou orquiepididimite, que pode ser infecciosa (bacteriana, sexualmente transmissível ou associada a prostatite).

Contexto Educacional

A dor escrotal aguda é uma emergência urológica que exige diagnóstico rápido e preciso, principalmente para diferenciar a torção testicular de outras condições menos graves, como a epididimite. A torção testicular é uma emergência cirúrgica que, se não tratada em poucas horas, pode levar à perda do testículo. Seu pico de incidência ocorre em neonatos e adolescentes, sendo rara em homens com mais de 30 anos. No caso de Roberto, 50 anos, a idade é um fator crucial. Embora a torção testicular seja uma possibilidade a ser excluída, a epididimite ou orquiepididimite (inflamação do epidídimo e/ou testículo) é um diagnóstico muito mais provável nessa faixa etária, especialmente se houver histórico de atividade física intensa ou sintomas urinários. A palpação de um epidídimo e testículo aumentados e dolorosos, como descrito, é mais consistente com um processo inflamatório/infeccioso. A ultrassonografia Doppler escrotal é um exame complementar valioso, pois pode demonstrar a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo na torção e o aumento do fluxo na epididimite. No entanto, em casos de alta suspeita de torção, a exploração cirúrgica imediata não deve ser atrasada pela espera do exame. A prostatite pode estar associada à epididimite, pois infecções do trato urinário inferior podem ascender e causar inflamação no epidídimo.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que diferenciam torção testicular de epididimite?

A torção testicular é mais comum em adolescentes, com dor súbita e intensa, elevação do testículo (sinal de Prehn negativo) e ausência de reflexo cremasteriano. A epididimite é mais comum em adultos, com dor de início mais gradual, febre, disúria e testículo em posição normal ou rebaixado (sinal de Prehn positivo).

Qual a importância da ultrassonografia Doppler no diagnóstico da dor escrotal aguda?

A ultrassonografia Doppler é crucial para avaliar o fluxo sanguíneo testicular. Na torção, há ausência ou diminuição do fluxo. Na epididimite, há aumento do fluxo sanguíneo no epidídimo e/ou testículo, auxiliando no diagnóstico diferencial e na conduta.

Por que a idade é um fator relevante no diagnóstico diferencial?

A torção testicular tem dois picos de incidência: neonatal e puberal (12-18 anos). Em homens adultos (>30 anos), a epididimite é a causa mais comum de dor escrotal aguda, frequentemente associada a infecções do trato urinário ou sexualmente transmissíveis, tornando a idade um fator chave.

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