Torção Testicular: Manejo Cirúrgico e Prevenção de Recorrência

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 20 anos de idade, dá entrada no pronto socorro com queixa de dor em testículo direito há duas horas. Nega sintomatologia semelhante previamente, porém refere tratamento para gonorreia há um ano. Ao exame físico, bom estado geral, corado, Temperatura axilar: 36,2ºC, FC: 80bpm, PA: 128x78mmHg, FR: 16imp; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano, flácido e indolor à palpação; edema leve em bolsa escrotal, dor de forte intensidade à palpação de testículo direito e testículo esquerdo sem alterações. Frente ao caso,Especifique os dois procedimentos cirúrgicos necessários, caso o paciente apresente inviabilidade do testículo direito.

Alternativas

Pérola Clínica

Dor escrotal aguda + testículo inviável → Orquiectomia ipsilateral + Orquidopexia contralateral para prevenir torção futura.

Resumo-Chave

Em casos de torção testicular com inviabilidade do testículo afetado, a orquiectomia é essencial. A orquidopexia do testículo contralateral é crucial para prevenir torções futuras, dado que a anatomia predisponente (testículo em "badalo de sino") é frequentemente bilateral.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para preservar a viabilidade do testículo. Caracteriza-se pela rotação do testículo e do cordão espermático, levando à isquemia. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade. A história clínica de dor escrotal súbita e intensa é crucial para a suspeita diagnóstica. O diagnóstico é primariamente clínico, com exame físico revelando testículo doloroso, elevado e horizontalizado, e ausência do reflexo cremastérico. O ultrassom Doppler escrotal pode confirmar o diagnóstico ao demonstrar ausência de fluxo sanguíneo no testículo afetado, mas não deve atrasar a exploração cirúrgica se a suspeita clínica for alta. A diferenciação com epididimite é fundamental. O tratamento é cirúrgico e consiste na detorção manual (se possível) seguida de orquidopexia bilateral. Se o testículo afetado for inviável (necrótico), a orquiectomia ipsilateral é necessária, seguida da orquidopexia contralateral para prevenir torções futuras no testículo remanescente. O prognóstico depende diretamente do tempo entre o início dos sintomas e a cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da torção testicular?

A torção testicular geralmente se manifesta com dor escrotal aguda e intensa, de início súbito, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. Pode haver edema e eritema escrotal, e o testículo afetado pode estar elevado e horizontalizado.

Por que a orquidopexia contralateral é necessária na torção testicular?

A orquidopexia contralateral é realizada para fixar o testículo não afetado à parede escrotal, prevenindo uma torção futura. A condição anatômica que predispõe à torção (deformidade em "badalo de sino") é frequentemente bilateral.

Qual o tempo ideal para intervenção cirúrgica na torção testicular?

O tempo ideal para a detorção cirúrgica é dentro de 4-6 horas do início da dor para maximizar a chance de salvamento testicular. Após 24 horas, a taxa de viabilidade é muito baixa.

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