Torção Testicular: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico Urgente

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 12 anos de idade, relata dor súbita e contínua há 12 horas, de forte intensidade, em região escrotal direita, associada a edema e hiperemia da região. Refere náuseas e irradiação da dor para o hipogastro. Nega trauma local, febre ou queixas urinárias. Ao exame, a região escrotal direita apresenta-se edemaciada, hiperemiada, dolorosa ao toque, com testículo direito horizontalizado e cefalizado em relação ao testículo contralateral. O reflexo cremastérico à direita está ausente ao estímulo. A região escrotal esquerda não possui alterações. A respeito da principal hipótese diagnóstica para o caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Caso seja confirmada a torção testicular, a orquidopexia esquerda deve ser realizada mesmo com cordão espermático esquerdo normal.
  2. B) Devido ao tempo de evolução acima de 6 horas, a ultrassonografia escrotal com Doppler colorido deve ser realizada para avaliar a viabilidade testicular.
  3. C) Devido ao intenso processo inflamatório local, a abordagem cirúrgica deve ser adiada até redução dos sinais flogísticos, para evitar infecção de ferida operatória.
  4. D) A ultrassonografia escrotal com Doppler colorido deve ser realizada para confirmação diagnóstica antes da decisão cirúrgica.
  5. E) Devido ao tempo de evolução acima de 6 horas, não há benefício ou indicação de exploração escrotal para avaliar a viabilidade testicular.

Pérola Clínica

Torção testicular: dor escrotal súbita + reflexo cremastérico ausente → emergência cirúrgica; orquidopexia bilateral é padrão.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. A ausência do reflexo cremastérico é um sinal altamente sugestivo. A orquidopexia contralateral é mandatória devido ao risco aumentado de torção no testículo oposto, que geralmente possui a mesma anatomia predisponente.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica pediátrica e do adulto jovem, caracterizada pela rotação do testículo e do cordão espermático, levando à isquemia. A incidência é maior na puberdade. O diagnóstico precoce é crucial, pois a viabilidade testicular diminui drasticamente após 6-8 horas de isquemia, podendo levar à atrofia ou necrose. O quadro clínico típico é dor escrotal súbita e intensa, unilateral, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado, edemaciado e extremamente doloroso à palpação. O sinal mais confiável é a ausência do reflexo cremastérico. A ultrassonografia com Doppler colorido pode confirmar o diagnóstico ao demonstrar a ausência de fluxo sanguíneo, mas não deve atrasar a intervenção cirúrgica em casos de alta suspeita clínica. O tratamento é a exploração cirúrgica imediata para destorção e orquidopexia (fixação do testículo) do lado afetado. É mandatório realizar também a orquidopexia profilática do testículo contralateral, pois a condição anatômica predisponente (deformidade em "badalo de sino") geralmente é bilateral, prevenindo futuras torções.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da torção testicular?

Os sinais clássicos incluem dor escrotal súbita e intensa, unilateral, que pode irradiar para o hipogastro, associada a edema, hiperemia local, náuseas e vômitos. Ao exame, o testículo pode estar elevado, horizontalizado e o reflexo cremastérico está ausente.

Por que a orquidopexia contralateral é indicada na torção testicular?

A orquidopexia contralateral é indicada porque a torção testicular geralmente ocorre devido a uma anomalia anatômica congênita ("deformidade em badalo de sino") que predispõe ambos os testículos à torção. Fixar o testículo contralateral previne uma futura torção.

Qual o papel da ultrassonografia com Doppler no diagnóstico da torção testicular?

A ultrassonografia com Doppler pode auxiliar no diagnóstico ao demonstrar a ausência de fluxo sanguíneo no testículo afetado. No entanto, em casos de alta suspeita clínica, a exploração cirúrgica não deve ser atrasada pela espera do exame, pois o tempo é fator crítico para a viabilidade testicular.

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