Torção Testicular: Diagnóstico e Manejo de Urgência

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 10 anos refere dor na região escrotal direita há cerca de 3 horas, irradiada para a região inguinal direita, de início súbito, acompanhada de vômitos. Ao exame físico: BEG, corado, hidratado. TGU: testículo direito aumentado de volume, endurecido, extremamente doloroso e elevado, com perda do reflexo cremastérico ipsilateral. Não houve alívio da dor com a elevação mecânica do órgão. Quanto à(s) conduta(s) nesse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Alta com anti-inflamatórios não esteroidais e orientações de repouso e elevação do testículo.
  2. B) Exploração cirúrgica imediata.
  3. C) Jejum, analgesia, ultrassonografia de abdome total e observação clínica.
  4. D) Jejum, raios X de abdome, urina 1, urocultura com antibiograma e cintilografia.
  5. E) Jejum, urina 1, urocultura com antibiograma e uretrocistografia miccional.

Pérola Clínica

Dor escrotal súbita + reflexo cremastérico ausente + testículo elevado = Torção testicular → Exploração cirúrgica URGENTE.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. A ausência do reflexo cremastérico e a elevação do testículo são sinais altamente sugestivos que demandam ação rápida.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira em seu eixo, comprometendo o fluxo sanguíneo. É mais comum em adolescentes e neonatos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a preservação da função testicular e fertilidade. A fisiopatologia envolve a rotação do cordão espermático, levando à isquemia e necrose testicular se não tratada prontamente. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história de dor súbita e intensa, associada a achados como testículo elevado, endurecido, doloroso e ausência do reflexo cremastérico. A ultrassonografia com Doppler pode auxiliar, mas não deve atrasar a cirurgia. O tratamento é a exploração cirúrgica imediata para destorcer o testículo e fixá-lo (orquidopexia) bilateralmente, prevenindo recorrências e torção contralateral. O prognóstico depende do tempo de isquemia; após 6 horas, a taxa de salvamento diminui drasticamente. É vital que residentes reconheçam rapidamente essa condição para evitar sequelas graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de torção testicular?

Os sinais clássicos incluem dor escrotal súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, edema, eritema e, crucialmente, a ausência do reflexo cremastérico ipsilateral. Náuseas e vômitos também são comuns.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de torção testicular?

A conduta é a exploração cirúrgica imediata, sem atrasos para exames complementares, devido à janela de tempo limitada para salvar o testículo (geralmente 4-6 horas). O tempo é um fator crítico para a viabilidade testicular.

Como diferenciar torção testicular de epididimite?

Na torção, a dor é súbita e o reflexo cremastérico está ausente. Na epididimite, a dor é mais gradual, pode haver febre e disúria, e o reflexo cremastérico está presente, com alívio da dor à elevação do testículo (sinal de Prehn positivo).

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