Torção Testicular: Diagnóstico Urgente e Manejo Cirúrgico

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente com 14 anos de idade dá entrada em pronto-socorro de cirurgia com queixa de dor testicular há 2 horas. Mãe refere que pela manhã o filho praticou futebol, mas que chegou em casa bem e iniciou o quadro subitamente. Nega queixas urinárias. Ao exame físico, observa-se pequeno aumento de volume de testículo direito, com este se apresentando mais elevado e horizontalizado. Reflexo clemastérico reduzido e Sinal de Prehn negativo. Sabendo que o médico radiologista responsável pela ultrassonografia só conseguirá realizar o exame em 4 horas, pode-se afirmar que a conduta mais prudente é:

Alternativas

  1. A) Indicar cirurgia imediata para avaliação da vitalidade do testículo acometido.
  2. B) Indicar antibioticoterapia e manter observação até realização do exame.
  3. C) Alta com orientações de sinais de alarme, suspendendo atividades físicas de impacto.
  4. D) Aguardar médico radiologista para realização do exame complementar.

Pérola Clínica

Dor testicular aguda + cremastérico ↓ + Prehn negativo + USG demorada = Torção testicular → Cirurgia imediata.

Resumo-Chave

A dor testicular aguda em adolescente, com sinais como testículo elevado e horizontalizado, reflexo cremastérico reduzido e sinal de Prehn negativo, é altamente sugestiva de torção testicular. Dada a urgência de tempo para salvar o testículo (janela de 4-6 horas), a espera por um exame de imagem que demorará 4 horas é inaceitável, indicando a necessidade de exploração cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira em torno do seu próprio eixo, torcendo o cordão espermático e comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em adolescentes e neonatos, e a dor testicular aguda é o sintoma cardinal. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica imediata são cruciais para preservar a viabilidade do testículo. A suspeita clínica é a chave para o diagnóstico. Sinais como dor súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado (sinal de Brunzel), edema e eritema escrotal, e a ausência do reflexo cremastérico (contração do músculo cremaster em resposta ao toque na coxa medial) são altamente sugestivos. O sinal de Prehn negativo (ausência de alívio da dor com a elevação do testículo) também aponta para torção, diferenciando-a da epididimite. A janela de tempo para salvamento testicular é estreita, tipicamente de 4 a 6 horas. Após esse período, a taxa de necrose testicular aumenta exponencialmente. Embora a ultrassonografia Doppler seja o exame de imagem de escolha para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo, a espera por sua realização não deve atrasar a exploração cirúrgica em casos de alta suspeita clínica. A conduta mais prudente é a cirurgia imediata para destorção e orquidopexia bilateral, visando preservar a função testicular e a fertilidade futura.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de torção testicular?

Os sinais clássicos incluem dor testicular súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, edema escrotal, náuseas/vômitos, e a ausência ou redução do reflexo cremastérico. O sinal de Prehn (alívio da dor com elevação do testículo) é negativo na torção.

Qual a importância do tempo no manejo da torção testicular?

O tempo é crítico. A viabilidade testicular diminui drasticamente após 4-6 horas de isquemia. A intervenção cirúrgica imediata é essencial para destorcer o testículo e fixá-lo, evitando a necrose e a perda do órgão.

Quando a ultrassonografia Doppler é indicada na suspeita de torção?

A ultrassonografia Doppler é útil para confirmar o diagnóstico ao mostrar ausência de fluxo sanguíneo. No entanto, se houver alta suspeita clínica e o exame não puder ser realizado prontamente, a exploração cirúrgica não deve ser atrasada.

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