COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Um paciente de 12 anos é trazido ao pronto atendimento com história de ter acordado subitamente à noite com dor na bolsa escrotal à esquerda. Refere também náuseas e vômitos. Nega febre, disúria ou polaciúria. Ao exame físico, observam-se escroto doloroso, com discreto edema local, reflexo cremastérico ausente e sinal de Prehn positivo. Seu diagnóstico e sua conduta, nesse caso, são:
Dor escrotal aguda + reflexo cremastérico ausente + náuseas/vômitos = Torção testicular → Cirurgia de urgência.
A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. A apresentação clássica inclui dor escrotal súbita e intensa, náuseas/vômitos, ausência do reflexo cremastérico e, por vezes, testículo elevado e horizontalizado. O sinal de Prehn positivo (alívio da dor com elevação do testículo) é mais comum em epididimite, mas sua presença não exclui torção.
A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira sobre seu próprio eixo, comprometendo o fluxo sanguíneo através do cordão espermático. É mais comum em adolescentes e neonatos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A rápida identificação e intervenção são cruciais para preservar a função testicular e a fertilidade. A apresentação clínica típica envolve dor escrotal súbita e intensa, frequentemente unilateral, que pode irradiar para a virilha ou abdome inferior. Náuseas e vômitos são sintomas associados comuns. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado, edemaciado e extremamente doloroso à palpação. O sinal mais confiável é a ausência do reflexo cremastérico ipsilateral. O sinal de Prehn (alívio da dor com elevação do testículo) é classicamente positivo na epididimite e negativo na torção, mas não é totalmente confiável. O diagnóstico de torção testicular é eminentemente clínico. Embora a ultrassonografia com Doppler possa ser útil para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo, ela não deve atrasar a exploração cirúrgica se a suspeita clínica for alta. A conduta é cirúrgica imediata (orquidopexia), visando a detorção e fixação do testículo afetado e do contralateral para prevenir recorrência. O tempo é fator crítico para a viabilidade testicular.
O reflexo cremastérico é a elevação do testículo em resposta ao toque na face interna da coxa. Sua ausência em um quadro de dor escrotal aguda é um forte indicativo de torção testicular, enquanto sua presença sugere outras causas como epididimite.
A viabilidade testicular diminui drasticamente com o tempo de isquemia. A cirurgia deve ser realizada idealmente dentro de 4-6 horas do início dos sintomas para maximizar as chances de salvamento testicular. Após 24 horas, a chance de salvamento é mínima.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem torção testicular, epididimite, torção de apêndice testicular (hidátide de Morgagni), hérnia inguinal encarcerada e trauma escrotal. A história e o exame físico são cruciais para a diferenciação.
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