Torção Testicular em Crianças: Diagnóstico e Manejo Urgente

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um menino de 10 anos, escolar, é levado à unidade de pronto-atendimento com queixa de dor em bolsa escrotal esquerda iniciada há 3 horas. A criança é eutrófica, sem antecedendes mórbidos e sem história de trauma ou de quedas. Ao exame testicular, o local da dor apresenta-se com edema e o testículo esquerdo encontra-se localizado em porção superior ao contralateral, próximo ao anel inguinal externo, com reflexo cremastérico abolido, cuja manobra de elevação é dolorosa.Nesse caso, a conduta médica correta é realizar

Alternativas

  1. A) encaminhamento imediato para o centro de referência de cirurgia infantil mais próximo.
  2. B) prescrição de antibiótico e de analgésico oral, com retorno ambulatorial para reavaliação.
  3. C) prescrição de anti-inflamatório e de analgésico oral, com orientação de repouso absoluto.
  4. D) solicitação de ultrassonografia de bolsa escrotal e de retorno ambulatorial para reavaliação.

Pérola Clínica

Dor escrotal aguda + reflexo cremastérico abolido + testículo elevado = Torção testicular → Cirurgia urgente.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. Sinais como dor súbita, testículo elevado e reflexo cremastérico abolido são altamente sugestivos.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica pediátrica que ocorre quando o testículo gira sobre seu próprio eixo, comprometendo o fluxo sanguíneo através do cordão espermático. É mais comum em adolescentes, mas pode ocorrer em qualquer idade. A incidência é de cerca de 1 em 4.000 homens com menos de 25 anos. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a preservação do testículo. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo, que leva à isquemia e necrose se não for corrigida. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em dor escrotal súbita e intensa, testículo elevado e horizontalizado, e abolição do reflexo cremastérico. O ultrassom Doppler pode auxiliar, mas não deve atrasar a exploração cirúrgica se a suspeita clínica for alta. O tratamento definitivo é cirúrgico, com detorção e orquidopexia bilateral (fixação dos testículos) para prevenir recorrências e torção no testículo contralateral. O tempo é crítico: a viabilidade testicular diminui drasticamente após 6 horas de isquemia. O prognóstico é bom se a cirurgia for realizada precocemente, mas pode haver perda testicular em casos de atraso.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da torção testicular em crianças?

Os principais sinais incluem dor escrotal súbita e intensa, edema local, testículo elevado e horizontalizado, e abolição do reflexo cremastérico. Náuseas e vômitos podem estar presentes.

Qual a conduta inicial para um caso suspeito de torção testicular?

A conduta inicial é o encaminhamento imediato para avaliação cirúrgica, idealmente em um centro de referência, devido à necessidade de exploração cirúrgica urgente para detorção e fixação testicular.

Como diferenciar torção testicular de epididimite em crianças?

A torção testicular geralmente tem início súbito, reflexo cremastérico abolido e sinal de Prehn negativo (elevação do testículo aumenta a dor). A epididimite tem início mais gradual, reflexo cremastérico presente e sinal de Prehn positivo (elevação alivia a dor).

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