SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2015
Adolescente de 15 anos deu entrada na madrugada passada no Hospital de Emergência, referindo dor súbita no testiculo direito, que o despertou do sono e persistiu por 02 horas, quando então procurou o serviço hospitalar. Sua mãe refere quadro clínico semelhante há 01 ano, mas que se resolveu espontaneamente. Ele refere que já iniciou atividade sexual e algumas vezes sem proteção. Ao exame, o testículo esquerdo apresentava-se normal, enquanto o direito estava edemaciado, elevado, muito sensível e observou-se que o reflexo cremastérico estava ausente. Diante dessa situação qual possível diagnóstico?
Adolescente + dor testicular súbita + testículo elevado/sensível + reflexo cremastérico ausente → torção testicular = emergência cirúrgica.
A torção testicular é uma emergência urológica que requer diagnóstico e tratamento cirúrgico imediatos para preservar a viabilidade do testículo. É caracterizada por dor súbita e intensa, testículo elevado e sensível, e ausência do reflexo cremastérico, especialmente em adolescentes.
A torção testicular é uma emergência urológica que afeta principalmente adolescentes e neonatos, sendo uma causa comum de dor escrotal aguda. Seu reconhecimento e tratamento imediatos são cruciais para a preservação da função testicular e fertilidade. A história de episódios semelhantes que se resolvem espontaneamente pode indicar torção intermitente, um fator de risco para torção completa devido à deformidade em 'badalo de sino'. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo e do cordão espermático, o que compromete o suprimento sanguíneo arterial e a drenagem venosa, levando à isquemia. O quadro clínico é caracterizado por dor testicular súbita e intensa, frequentemente unilateral, que pode irradiar para a região inguinal ou abdominal. Ao exame físico, o testículo afetado geralmente está edemaciado, elevado e horizontalizado, e o reflexo cremastérico está ausente, um achado de alta sensibilidade e especificidade. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a ultrassonografia Doppler escrotal pode confirmar a ausência de fluxo sanguíneo. O tratamento é cirúrgico de emergência (orquidopexia), visando a detorção e fixação do testículo afetado, e do contralateral para prevenir torções futuras. O tempo é crítico: a viabilidade testicular diminui significativamente após 4-6 horas de isquemia, tornando a intervenção precoce essencial para um bom prognóstico.
Os principais sinais incluem dor testicular súbita e intensa (frequentemente acordando o paciente do sono), inchaço e sensibilidade do testículo afetado, elevação do testículo devido ao encurtamento do cordão espermático, e a ausência do reflexo cremastérico no lado afetado.
A ausência do reflexo cremastérico (contração do músculo cremaster em resposta ao toque na face interna da coxa) é um sinal altamente sensível e específico para torção testicular. Sua presença torna a torção menos provável, mas não a exclui completamente.
A torção testicular é uma emergência cirúrgica porque a rotação do testículo no cordão espermático interrompe o fluxo sanguíneo, levando à isquemia e necrose testicular. A viabilidade do testículo diminui drasticamente após 6 horas de isquemia, exigindo detorção cirúrgica imediata.
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