SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
David é um jovem de 18 anos que busca atendimento no centro de saúde e diz que precisa falar urgente com algum médico. Você avalia o prontuário de David antes de chamá-lo, relembra que ele mora com os pais, faz faculdade de economia e que na última consulta, há 7 meses, foi prescrito tratamento para corrimento uretral e feito sorologias, todas negativas. Ao entrar no consultório esta manhã, ele te conta que acordou com dor intensa em testículo direito. Relata que há 02 anos sente um desconforto e sensação de peso nos testículos, mas que um médico orientou ser "varizes" e que poderia ficar tranquilo. No entanto, hoje o desconforto piorou muito e tem medo do que pode ser. Ele está em um novo relacionamento há 1 semana e tem relações sexuais sem uso de preservativo. Ao exame, você observa edema e hiperemia de parede escrotal à direita. Diante do caso, qual manobra do exame físico irá ajudar no diagnóstico diferencial e na confirmação da hipótese diagnóstica mais provável?
Dor testicular aguda + reflexo cremastérico ausente → Torção testicular (emergência!).
A torção testicular é uma emergência urológica que exige diagnóstico e intervenção rápidos para preservar o testículo. A ausência do reflexo cremastérico é um achado clínico altamente sugestivo de torção, diferenciando-a de outras causas de dor escrotal aguda, como a orquiepididimite, onde o reflexo geralmente está presente.
A dor testicular aguda é uma queixa comum na emergência e requer uma avaliação rápida e precisa para diferenciar condições benignas de emergências urológicas, como a torção testicular. A torção testicular é uma condição em que o cordão espermático se torce, comprometendo o fluxo sanguíneo para o testículo, e sua incidência é maior em adolescentes e neonatos. A orquiepididimite, por outro lado, é uma inflamação do epidídimo e/ou testículo, geralmente de origem infecciosa, mais comum em adultos jovens sexualmente ativos. O diagnóstico diferencial é crucial e se baseia na história clínica e no exame físico. Na torção, a dor é súbita e intensa, com ausência do reflexo cremastérico e, por vezes, testículo elevado e horizontalizado. Na orquiepididimite, a dor é mais gradual, acompanhada de febre, disúria e o reflexo cremastérico geralmente está presente, além de um Sinal de Prehn positivo (alívio da dor com elevação do testículo). A ultrassonografia com Doppler é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar o fluxo sanguíneo. O manejo da torção testicular é uma emergência cirúrgica, com detorção manual e orquidopexia bilateral. O atraso no tratamento pode levar à necrose testicular e infertilidade. A orquiepididimite é tratada com antibióticos, analgésicos e repouso. É fundamental que o médico esteja apto a realizar um exame físico detalhado e a suspeitar de torção testicular para garantir um desfecho favorável.
A torção testicular manifesta-se com dor testicular aguda e súbita, geralmente unilateral, que pode irradiar para a região inguinal. Pode haver náuseas, vômitos, edema e hiperemia escrotal. O testículo afetado pode estar elevado e em posição horizontalizada (sinal de Brunzel).
O reflexo cremastérico é a elevação do testículo em resposta ao toque ou fricção na parte interna da coxa. Na torção testicular, esse reflexo está classicamente ausente devido à isquemia nervosa, enquanto na orquiepididimite, ele geralmente está presente.
A torção testicular é uma emergência cirúrgica. A viabilidade testicular diminui drasticamente com o tempo de isquemia. A detorção cirúrgica idealmente deve ocorrer em até 6 horas do início dos sintomas para maximizar as chances de salvamento do testículo.
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