DASA - Diagnósticos da América (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 16 anos, é trazido ao atendimento na atenção básica pela mãe queixando-se de dor testicular à esquerda de início há 4 horas. Nega trauma local. Nega atividade física recente. Nega sintomas urinários. Nega febre. Relata que a dor se iniciou durante a madrugada e vem piorando progressivamente. Ao exame físico: bom estado geral, abdome flácido, indolor, sem massas palpáveis. Testículo direito tópico em bolsa testicular, indolor à palpação, medindo aproximadamente 4 x 3 x 3 cm. Testículo esquerdo em topografia mais alta que o direito, levemente horizontalizado, doloroso à palpação, de aspecto mais endurecido que o contralateral medindo aproximadamente 6 x 5 x 5 cm. Nota-se presença de reflexo cremastérico bilateralmente. Há disponível serviço de cirurgia pediátrica, porém não há exames de imagens disponíveis no momento. O serviço terciário que dispõe de exames complementares dista 1 hora de transporte. Assinale a conduta mais adequada para o caso.
Dor testicular aguda em adolescente + testículo alto/horizontalizado + dor progressiva → Torção testicular = Cirurgia de urgência (tempo-dependente).
A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. A suspeita clínica é fundamental, e o atraso no tratamento pode levar à perda do órgão. Embora o reflexo cremastérico ausente seja um sinal clássico, sua presença não exclui o diagnóstico.
A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira em torno do seu próprio eixo, torcendo o cordão espermático e comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em adolescentes e neonatos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A incidência é de aproximadamente 1 em 4.000 homens com menos de 25 anos. A rápida identificação e intervenção são cruciais para preservar a função testicular e a fertilidade. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo dentro da túnica vaginal (deformidade em 'badalo de sino'), levando à oclusão dos vasos sanguíneos no cordão espermático. Clinicamente, o paciente apresenta dor testicular súbita e intensa, geralmente unilateral, que pode irradiar para a virilha ou abdome. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado, edemaciado e extremamente doloroso à palpação. O reflexo cremastérico está frequentemente ausente, embora sua presença não exclua o diagnóstico. A ausência de exames de imagem não deve atrasar a conduta. O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado o mais rápido possível. A exploração cirúrgica imediata (orquidopexia) é a conduta de escolha para detorcer o testículo e fixá-lo na bolsa escrotal, prevenindo novas torções. Se o testículo estiver necrótico, a orquiectomia pode ser necessária. O prognóstico depende diretamente do tempo entre o início dos sintomas e a cirurgia; quanto menor o tempo de isquemia, maior a chance de salvamento testicular.
Os principais sinais e sintomas incluem dor testicular aguda e súbita, geralmente unilateral, que pode irradiar para a região inguinal ou abdominal. O testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado e edemaciado, e a palpação é extremamente dolorosa. Náuseas e vômitos também são comuns.
A torção testicular é uma emergência cirúrgica porque a rotação do cordão espermático causa isquemia do testículo devido à interrupção do fluxo sanguíneo. A viabilidade testicular diminui drasticamente com o tempo, sendo crucial a detorção cirúrgica dentro de 4-6 horas do início dos sintomas para maximizar as chances de salvamento do órgão.
A torção testicular geralmente tem início súbito, dor intensa e testículo elevado/horizontalizado, com reflexo cremastérico frequentemente ausente. A epididimite, por outro lado, tem início mais gradual, dor menos intensa, febre e disúria podem estar presentes, e o reflexo cremastérico geralmente está preservado. O sinal de Prehn (alívio da dor com elevação do testículo) é positivo na epididimite e negativo na torção.
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