Torção Testicular: Diagnóstico e Conduta de Urgência

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

Roberto, 19 anos, deu entrada no PS ás 00:00 com queixa de dor escrotal com irradiação para a face interna da coxa. Relata ainda que a dor é tão intensa que causa náuseas. Iniciou subitamente e causou o despertar do paciente. Nega esforço físico ou trauma local. Nega saída de secreção uretral ou sintomas urinários. Ao exame: Abdome inocente. Não apresenta abaulamento inguinal, sem hiperemia ou flogose na região escrotal, dor á palpação do testículo e do canal inguinal. O próximo horário de ultrassom no serviço será 7:00. Frente a este cenário, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Aguardar o ultrassom com Doppler para confirmar diagnóstico e definir conduta
  2. B) Informar pessoalmente a equipe de cirurgia geral pois o paciente precisará de uma exploração cirúrgica imediata
  3. C) Iniciar ciprofloxacino 500mg 12/12h por 21 dias + AINE por 5 dias e alta
  4. D) Analgesia EV e alta após melhora dos sintomas
  5. E) Solicitar TC pélvica para diagnóstico diferencial.

Pérola Clínica

Dor escrotal aguda súbita + náuseas + despertar noturno = Torção testicular até prova em contrário → Exploração cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para salvar o testículo. A dor súbita, intensa, com irradiação e sintomas associados como náuseas, especialmente com despertar noturno, são altamente sugestivos. O tempo é crítico, e a espera por exames pode comprometer a viabilidade testicular.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira sobre seu próprio eixo, torcendo o cordão espermático e comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade. A incidência é de cerca de 1 em 4.000 homens com menos de 25 anos. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a preservação da função testicular. O quadro clínico é caracterizado por dor escrotal súbita e intensa, frequentemente unilateral, que pode irradiar para a virilha ou abdome inferior. Sintomas associados como náuseas e vômitos são comuns. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado e extremamente doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico. A ausência de febre e sintomas urinários ajuda a diferenciar de epididimite. A suspeita clínica é o pilar do diagnóstico. A conduta prioritária em casos de alta suspeita de torção testicular é a exploração cirúrgica imediata. O tempo de isquemia é o fator mais importante para a viabilidade testicular: taxas de salvamento são altas se a cirurgia ocorrer em até 6 horas, mas caem drasticamente após 12-24 horas. Embora o ultrassom Doppler possa confirmar a ausência de fluxo sanguíneo, ele não deve atrasar a cirurgia em casos de forte suspeita clínica. A exploração cirúrgica permite a destorção e orquidopexia bilateral para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da torção testicular?

A torção testicular tipicamente apresenta dor escrotal súbita e intensa, frequentemente unilateral, com irradiação para a virilha ou abdome, associada a náuseas e vômitos. Pode haver elevação do testículo afetado e ausência do reflexo cremastérico.

Qual a importância do tempo na conduta da torção testicular?

O tempo é crítico na torção testicular, pois a isquemia prolongada leva à necrose testicular. A viabilidade do testículo diminui drasticamente após 6 horas de isquemia, tornando a exploração cirúrgica imediata fundamental para preservar o órgão.

Quando o ultrassom Doppler escrotal é indicado na suspeita de torção testicular?

O ultrassom Doppler é útil para confirmar o diagnóstico quando a suspeita clínica é baixa ou intermediária. No entanto, em casos de alta suspeita clínica, a exploração cirúrgica não deve ser atrasada pela espera do exame, pois o benefício da cirurgia imediata supera o risco de uma exploração negativa.

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