Torção Testicular: Diagnóstico, Viabilidade e Conduta Cirúrgica

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 36 anos, admitido no pronto atendimento com queixa de dor testicular direita, súbita e intensa, há 24 horas. Sinal de Prehn negativo. Submetido à exploração escrotal, com o seguinte achado intraoperatório:Qual é a conduta cirúrgica nesse caso?

Alternativas

  1. A) Orquiectomia direita.
  2. B) Orquiectomia direita e orquidopexia esquerda.
  3. C) Orquidopexia bilateral.
  4. D) Orquidopexia direita.

Pérola Clínica

Dor testicular súbita + Prehn negativo + >6h de isquemia (24h no caso) → Orquiectomia do testículo inviável + Orquidopexia contralateral.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica. Com 24 horas de dor e sinal de Prehn negativo (indicando torção), a viabilidade do testículo torcido é extremamente baixa. A conduta correta é remover o testículo inviável (orquiectomia) e fixar o testículo contralateral (orquidopexia) para prevenir torção futura.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que requer diagnóstico e tratamento imediatos para preservar a função testicular. Caracteriza-se por dor testicular súbita e intensa, geralmente unilateral, que pode irradiar para a região inguinal. O sinal de Prehn negativo (ausência de alívio da dor com a elevação do testículo) e a ausência de febre ou disúria ajudam a diferenciá-la de epididimite. A idade mais comum de ocorrência é na adolescência, mas pode ocorrer em qualquer idade. A fisiopatologia envolve a rotação do cordão espermático, que leva à oclusão vascular e isquemia testicular. O tempo é crítico: a viabilidade testicular diminui drasticamente após 6 horas de isquemia e é quase nula após 24 horas. A exploração escrotal de urgência é o padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento. Durante a cirurgia, a viabilidade do testículo é avaliada; se inviável (necrótico, escuro, sem sangramento após destorção), a orquiectomia é necessária. Independentemente da viabilidade do testículo torcido, a orquidopexia (fixação do testículo à parede escrotal) deve ser realizada bilateralmente. Isso ocorre porque a condição subjacente que predispõe à torção (a "deformidade em sino de igreja") é frequentemente bilateral, e a fixação do testículo contralateral previne uma torção futura. A conduta cirúrgica adequada é crucial para evitar complicações como infertilidade e atrofia testicular.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do tempo de isquemia na torção testicular para a viabilidade do órgão?

O tempo de isquemia é o fator mais crítico para a viabilidade testicular. Após 6-8 horas de torção, a taxa de salvamento testicular diminui drasticamente, e após 24 horas, a viabilidade é mínima, justificando a orquiectomia do testículo afetado.

Por que a orquidopexia contralateral é sempre indicada em casos de torção testicular?

A orquidopexia contralateral é indicada porque a torção testicular é frequentemente associada a uma anomalia anatômica bilateral conhecida como "deformidade em sino de igreja" (bell-clapper deformity), que predispõe ambos os testículos à torção. Fixar o testículo contralateral previne uma futura torção.

Como o sinal de Prehn auxilia no diagnóstico diferencial da dor testicular aguda?

O sinal de Prehn é a melhora da dor testicular com a elevação do escroto. É tipicamente positivo na epididimite e negativo na torção testicular. Embora não seja 100% sensível ou específico, um sinal de Prehn negativo reforça a suspeita de torção testicular, que é uma emergência.

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